Teatro • Home• Revista 12/6/2007
DRAMA
Trindade
Estrutura convencional do texto e encenação sóbria fazem peça parecer de outro tempo

Dirceu Alves Jr.

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Pais e filhos separados logo depois do nascimento que se reencontram são personagens comuns em melodramas. Nas telenovelas, o tema ou alguma de suas variações é explorado constantemente. No teatro, ainda mais o atual, a premissa é rara. Por isso causa surpresa descobrir que Trindade, espetáculo escrito e dirigido por Caio de Andrade, é um texto produzido no século 21. Da estrutura convencional até a sobriedade da encenação, tudo na peça protagonizada por Guilherme Leme, Luciano Chirolli e Pedro Neschling soa como se fosse de outro tempo.

Chirolli é um general que criou o personagem de Neschling. Médico promissor, o rapaz conhece um operário (Leme) que escreve para um jornal. As relações se estreitam, o general fica de cabelos arrepiados, e o melodrama se instaura: o que fará o rapaz quando descobrir a verdade? Andrade foge do intimismo e da possibilidade de vasculhar a alma destes três homens diante da situação e opta pelo suspense de como será a reação do filho.

Guilherme Leme é o operário que reencontra o filho (Neschling, no centro) criado por general (Chirolli, à dir.)

Isso enfraquece profundamente Trindade, até porque o jovem só descobre a verdade minutos antes do final. O excesso melodramático também compromete as atuações. Se Chirolli se mostra engessado, Neschling beira a canastrice para disfarçar a pouca intimidade com o palco. Mais à vontade está Leme, que aproveita a empatia do personagem para dar um pouco mais de leveza ao texto, que parece ter sido escrito na década de 10, quando a ação se passa. Dramalhão

Teatro Aliança Francesa - r. Gal. Jardim, 182, tel. (11) 3188-4141. Até 29/7.