Livros • Home• Revista 12/6/2007
ROMANCE
Casa de Encontros
Martin Amis retorna com trama epistolar que usa o amor contra o totalitarismo

Suzana Uchôa Itiberê

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Fotos: DIVULGAÇÃO
Amis volta à boa forma com história de violência, exploração dos limites morais e latente pessimismo

Filho do consagrado autor inglês Kingsley Amis (1922-1995), Martin Amis é um dos grandes nomes da ficção britânica contemporânea. O estilo mordaz e contundente vira e mexe o coloca em atrito com a imprensa de seu país - do qual se exilou "pelo clima asfixiante" após os atentados de 2005. A verdade é que ultimamente Amis não tem entusiasmado a crítica. Casa de Encontros (Companhia das Letras, 240 págs., R$ 39,50) traz sua habitual cota de polêmica: violência, exploração dos limites morais e latente pessimismo. A boa notícia é que ele ressurge mais conciso e distante dos preciosismos de Trem Noturno e A Informação.

O narrador é um russo de 84 anos, radicado nos Estados Unidos. Em uma longa carta a Vênus, sua enteada, ele relembra os 10 anos em um campo de trabalhos forçados na Sibéria, um lugar marcado pela selvageria e a perversidade. Ex-combatente do Exército Vermelho, conta como se tornou "estuprador condecorado" e fala da relação com o irmão caçula, Lieve, companheiro de confinamento e marido de Zóia, a judia fogosa que ele desejou por toda a vida. O triângulo amoroso não provoca empatia, mas Amis é penetrante quando ilumina a brutalidade do totalitarismo. A obra seria uma versão ficcional de Koba the Dread (inédito no Brasil), ensaio histórico em que defende que o genocídio stalinista foi tão cruel quanto o dos nazistas, apenas menos lembrado. Com um toque de imaginação, sua tese torna-se ainda mais devastadora. Amor em tempos de cólera