Cinema • Home• Revista 12/6/2007
COMÉDIA
Fora de Jogo
Diretor iraniano Jafar Panahi encontra na paixão pelo futebol um antídoto contra a opressão islâmica

Suzana Uchôa Itiberê

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Longa mostra mulheres que desafiam normas para ver uma partida de futebol

Os iranianos são tão fanáticos por futebol quanto os ingleses e os brasileiros. Depois da equipe nacional, a paixão maior é pelos craques brazucas. Camisetas com o nome de Ronaldo e da Seleção canarinho despontam na abertura de Fora do Jogo, quando uma multidão de torcedores se dirige ao estádio Azadi, em Teerã, para assistir à disputa com Bareim por uma vaga na Copa do Mundo da Alemanha. As mulheres são proibidas de participar desses eventos, mas algumas delas trocam a burca e o hijab por bonés, óculos escuros e tinta colorida na tentativa de entrar despercebidas. Nem todas conseguem e são essas, as capturadas e presas,que atraem a lente, sempre muita humana, do diretor e roteirista Jafar Panahi.

Em 2000, ele ganhou o Leão de Ouro em Veneza por O Círculo, um painel das mulheres subjugadas pela sociedade patriarcal do Irã. Retoma a questão nesta produção vencedora do Urso de Prata em Berlim, mas agora com leveza e bom humor. Uma juventude moderna e sedenta por mudanças se insurge nesse antro de intolerância. Panahi é simpático à audácia feminina. Os jovens guardas, de certa forma, admiram suas prisioneiras amantes do futebol. A vitória faz a nação parar e a alegria é tanta que, naquele instante mágico, regras e tradições são deixadas de lado e todos comemoram como iguais.

Unidos pelo futebol