Música • Home• Revista 12/6/2007
ROCK
Memory Almost Full
Paul McCartney reitera cânones de sua obra em álbum roqueiro e nostálgico

Mauro Ferreira

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McCartney faz pop rock à sua moda, sem procurar soar contemporâneo ou moderno

Em 2005, quando lançou o álbum Chaos and Creation in the Backyard, Paul McCartney tentou soar mais uma vez como o arauto da modernidade. Para tal, convocou Nigel Godrich, produtor associado ao Radiohead, um dos grupos mais cultuados dos últimos tempos. Como o disco não causou o furor imaginado pelo artista, McCartney rompeu com a gravadora EMI - por onde editava seus discos desde os tempos dos Beatles - e se associou ao selo Hear Music (da rede de cafeterias Starbucks) para lançar seu 21º álbum solo, Memory Almost Full, na realidade gestado desde 2003, antes de sua parceria com Nigel Godrich.

Neste trabalho de tom nostálgico, McCartney faz pop rock à sua moda, sem procurar soar contemporâneo ou moderno. Fãs antigos vão identificar no rock "Not Your Head" ecos de "Helter Skelter", clássico do Álbum Branco dos Beatles. O flerte com o soul em "Gratitude" e o passeio pela seara country em "Dance Tonight" são referências menos recorrentes na obra do artista. McCartney, que já fez 64 anos, consegue tocar com leveza até no tema da morte. Em "The End of the End", ele pede piadas em seu funeral.

Diferentemente de Nigel Godrich, que imprimiu sua marca no som do velho Macca, o produtor de Memory Almost Full, David Kahne, apenas ajuda o artista a reiterar cânones de uma obra que é um dos cartões-de-visita da música do século 20. E McCartney tem muito o que recordar, sem precisar soar moderno. O arauto da longevidade