Saúde • Home• Revista 12/6/2007
Um toque de carinho
Massagear os bebês com freqüência acalma, elimina cólicas e aumenta a aproximação entre pais e filhos

Viviane Zumpano

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Viviane: carícias constantes melhoram desenvolvimento

De forma instintiva, é comum pressionar com a mão uma parte do corpo que está dolorida ou acaba de sofrer uma contusão, como o dedo fechado sem querer na dobradiça da porta.

Quando fazemos isso, estamos em busca do alívio trazido pelo calor e pela pressão do toque. Desse modo, colocamos em prática um dos recursos terapêuticos mais antigos da humanidade: a massagem. Ela tem sido cada vez mais valorizada e se mostra uma experiência muito rica para recém-nascidos a partir de um mês de idade. No mundo ocidental, o método mais conhecido é a Shantala, um conjunto de toques assim batizado pelo médico francês Frédérick Leboyer. Durante uma viagem à Índia nos anos 70, o especialista viu que muitas mães hindus diariamente submetiam seus bebês a sessões de toque. Fascinado pela intensidade da troca emocional e física entre a mãe e o bebê e o evidente bem-estar das crianças, o especialista registrou os movimentos e difundiu-os em vários países.

Aplicada pela mãe em sessões com duração de 15 minutos para os mais novos e até 30 minutos para bebês maiores, a Shantala deflagra sensações e estímulos que ajudam o desenvolvimento infantil. Estudos mostram que as crianças que recebem carinho com freqüência ganham peso e crescem com mais saúde do que outras raramente acariciadas.

É a confirmação de que um bebê precisa realmente de muito mais do que alimentos e cuidados com higiene. Para os médicos, essa estimulação por meio do tato desperta a sensibilidade da criança e promove o relaxamento das tensões. Também auxilia sua evolução motora e pode aliviar cólicas e insônias.

É importante destacar que existem muitas instruções sobre o modo correto de aplicar a massagem das mães indianas e que podem ser aprendidas em cursos de gestantes ou em livros. Mas, de modo geral, a essência desse toque é transmitir amor e segurança. Isso vale para a Shantala, para a massagem tradicional feita pelas índias xavante brasileiras em suas crianças ou outro contato. Mas, independentemente do tipo, qualquer massagem em bebês e crianças precisa respeitar algumas regras na aplicação para que os benefícios sejam alcançados. A principal delas é que os todos os toques devem ser delicados e harmoniosos, feitos em ambiente calmo e aquecido, pois o bebê estará sem roupa e não pode sentir frio. Anote algumas dicas: ponha as duas mãos sobre o peito da criança e escorregue suavemente para os lados. Com as pontinhas dos dedos, massageie do pescoço em direção aos ombros. Para facilitar o deslizar das mãos, pode-se usar óleo natural de camomila ou de amêndoas. Por fim, mais um conselho: mesmo quem não conhece mais profundamente a Shantala pode e deve acariciar o bebê. O toque amoroso tranqüiliza.

PÍLULAS
» Shantala era o nome de uma mãe da região de Kerala, no Sul da Índia, que ajudou o médico Frédérick Leboyer na tarefa de entender e registrar a arte tradicional de massagem para bebês.

» A massagem deve ser evitada se o bebê estiver com febre, resfriado, disenteria e infecções ou doenças de pele que impeçam o toque e se estiver dormindo.

» O relaxamento profundo e o bemestar sentidos pelo bebê podem levá-lo a fazer xixi. É prudente a mãe cobrir as pernas com pano ou tecido impermeável.

» As modernas Unidades de Terapia Intensiva para crianças incentivam a presença dos pais. Pesquisas sugerem que o reconhecimento do tom de voz e do toque paterno acelera a recuperação.

VIVIANI ZUMPANO
É especialista em arteterapia e coordenadora pedagógica do Berçário Les Enfants d'Emilie, em São Paulo