
Quando Joe Hill lançou a coletânea de contos de terror 20th Century Ghosts, o escritor tentou esconder o sobrenome. Mas logo a imprensa descobriu: tratava-se de Joe Hill King, filho do mestre do suspense Stephen King. Depois disso, o caminho para o sucesso ficou mais fácil.
A Estrada da Noite (Sextante, 320 págs., R$ 29,90), seu segundo trabalho, já figura na lista dos mais vendidos de Gente há quatro semanas. Neste romance de terror, ele continua disposto a seguir a trilha do pai ainda que o sobrenome continue fora da capa. É a história de um roqueiro decadente, que coleciona objetos mórbidos. Num leilão pela internet, compra um paletó assombrado e passa a ser perseguido por um fantasma.
Ao contrário do pai, Hill não se preocupa muito em criar clima. Seu estilo é rápido e dinâmico. Na sexta página, o roqueiro já está com o paletó assombrado, e, cinco páginas depois, o fantasma já alfineta sua namorada. Também não há espaço para sutilezas. A Estrada da Noite é bem mastigado. Se não é especialmente criativo, pelo menos, deve agradar aos fãs de terror.
Vestido para matar  
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| Joe Hill, ao contrário de Stephen King, não cria clima em suas histórias |
De pai para filho
É possível ao leitor atento detectar o DNA de Stephen King em Joe Hill. Associar a presença maligna a um objeto inanimado (o paletó), por exemplo, também é um recurso conhecido pelo pai. Em Cristine era um carro quem recebia a maldição. Pai e filho estão mais interessados em desenhar um ambiente de terror do que em dar densidade aos personagens. Além disso, Hill também desenvolveu uma narrativa bem visual, tanto na descrição dos cenários quanto na criação do clima de suspense, talvez de tanto ver os livros do pai no cinema. Não por acaso, A Estrada da Noite deve ser levado às telas. |