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| "Teve rádio que não tocava minha música porque meu pai era do PT. Nunca quis comprar essa briga, não vou ganhar", diz ele |
Quando estava na Casa dos Artistas, em 2001, Supla se intitulava "o rei da mídia". O roqueiro está de volta ao SBT, para ampliar o reinado. Desde o dia 31 de março, ele comanda, no novo Viva a Noite, o quadro "O Rei da Mídia", no qual mostra os bastidores da emissora e entrevista desde Adriane Galisteu até a Banda Calypso. Além da novidade televisiva e dos shows do disco Vicious, o "rei" começa a atacar em outras mídias. Ele é curador da exposição Rockers, que foi lançada em São Paulo no dia 15 de maio e conta a história do rock por meio de fotos do norte-americano Bob Gruen, e vai escrever e ilustrar um livro infantil, retomando os desenhos que fazia quando criança. É inspirado pelas lembranças da juventude que ele coloca as condições para realizar o desejo de ser pai: aos 41 anos, Supla sonha proporcionar ao filho a mesma base familiar que recebeu dos pais, o senador Eduardo Suplicy e a ministra do Turismo, Marta Suplicy.
Como foi parar no Viva a Noite?
Quando fiz um clipe para a MTV, em 1991, queriam que eu fosse apresentador. Achava que tiraria o misticismo do cantor, mas, depois que fiz um reality show e vendi muitos discos, vi que só ajuda. Gravei um piloto chamado O Rei da Mídia, com uma parte de entrevistas. Levei ao SBT, que sempre me acolheu bem, e falaram: "O programa não vai dar, mas a gente quer as entrevistas no Viva a Noite." Mostro os bastidores do SBT e já entrevistei o Ratinho, a Galisteu, cantei no trio com a
Ivete Sangalo. Entrevistei até o Calypso e a dupla Gino e Geno.
Como é entrevistar esses artistas populares?
Faço a lição de casa. Vejo como são as pessoas, quais os hits. Isso é uma cultura brasileira, a população gosta. É legal ver meu personagem entrevistando o Calypso. Cantei Elvis com a Joelma (vocalista da banda). Senti emoção na voz dela, a mesma que senti quando ouvi o Leonardo cantar. Gosto dele, canta com emoção. É uma troca.
Qual o seu lugar na história do rock?
Contribuí bastante para o rock nacional, inclusive no visual. Tem crítica? Lógico. Roqueiro fala mal pra c... de outros roqueiros, sempre ouvi conversinhas.
É que nem político: fala, fala, mas no cafezinho do Senado todo mundo é amigo. It's ok, é a democracia. Tem que viver com quem pensa diferente, como no rock.
Já foi boicotado?
Ah, já. Até por causa de política. Teve rádio que não tocava minha música porque meu pai era do PT. Nunca quis comprar essa briga, não vou ganhar. Vê o Lobão? Está fazendo Acústico (na MTV), depois de falar mal de todo mundo. Gosto muito do Lobão. Mas nos anos 80 ele era da RCA (hoje, Sony-BMG) e acha que a música dele tocava por quê? Faziam "jabazeira", ou, pelo menos, havia acordos das gravadoras com as rádios.
O que acha de ele voltar ao mainstream?
Desejo boa sorte. As pessoas não conhecem as músicas novas dele. Espero que toque bastante no rádio. É mais que merecido, porque ele já foi preso, se f.... É inteligente, cheio de contradições e é isso que faz o rock explodir. Sempre tocou, fez a revista dele, batalhou. Foi o único músico que pôs a cara para bater e enfrentou. Ganhou muita antipatia do pessoal de rádio, então tem todo o meu respeito o senhor Lobão. Podia ser um ministro aí também.
Como avalia o ministro Gilberto Gil?
Ele representa bem o Brasil lá fora. Trabalha bastante e soube administrar (a carreira paralelamente ao Ministério). A carreira dele subiu, não tem como negar. Quando ele vai tocar fora do País, ele é o Gilberto Gil, músico respeitadíssimo e... (enfatiza) ministro. Tem esse status e não tem nenhum mal em saber levar isso.
Como vê a entrada da sua mãe no governo Lula?
Acho bom, mantém ela na mídia. Mas tem que mostrar serviço, apesar de ela já ter mostrado. Para quem foi prefeita de São Paulo, isso é um passeio. O gabinete é bonito, é tudo meio arrumado, mas tem que fazer as coisas acontecerem, mesmo com pouca verba.
Na posse dela, disseram que você não sabia o que o ministro do Turismo fazia. Descobriu?
É, brinquei que (o ministro) viaja bastante. Não sei ainda e não tenho a obrigação de saber. Perguntei para o repórter (que o questionou sobre as atribuições do ministro) se ele sabia o que o ministro fazia. Porque ele deveria ter conhecimento para poder me indagar sobre isso. Ela vai me contar e vou me informar, quem sabe até entrevistá- la. As pessoas não sabem o que o ministro faz e, se for entrevistá-la, vou perguntar onde está pegando e ver como ela responde.
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