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“Ciúme
abastece a relação”
Aos 67 anos, o ator conta que a mulher Nicette Bruno sacrificou
a carreira pelos filhos, diz que com o tempo as diferenças aparecem
mais e garante não temer a morte
Vivianne
Cohen
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Piti Reali
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Aos
67 anos, Paulo Goulart ainda consegue surpreender. Foi idéia
dele ficar de quatro durante a sessão de fotos e cantarolar
entre as poses os funks Cerol na Mão e Um
Tapinha Não Dói, no Teatro Sesc Copacabana.
É onde vai reestrear em junho a peça Crimes Delicados,
ao lado da mulher, Nicette, com quem está casado há
47 anos, e da filha Bárbara Bruno.
Com
50 anos de carreira, ele não perde a oportunidade de fazer
graça. Não é para menos. Acumulou nesses anos
papéis marcantes como o vilão Nonato na novela Mulheres
de Areia e o bon vivant Altair, de O Dono do Mundo.
Paulistano, mantém dois endereços um no Rio,
para quando está gravando na televisão, e outro em
São Paulo, onde mora a família. Pai de três
filhos e avô de sete netos, ele se prepara para voltar à
tevê em A Padroeira, próxima novela das seis
da Globo.
É
complicado trabalhar com a família?
Não é fácil. Tem que respeitar a individualidade
de cada um e isso eu e a Nicette sempre cultivamos muito. Uma relação
entre artistas só terá uma longa vida se você
preservar isso. Fizemos isso desde que nos casamos. Com os filhos,
nós procuramos exercitar a mesma coisa dentro do tempo deles.
Quando eles atingiram a idade de escolher profissões, já
tinham uma consciência de como era essa nossa relação.
Quando tivemos as primeiras experiências, não foi fácil,
porque você quer ajudar e, se não respeitar... E ser
filho de artista deve ser difícil, eles mesmos se cobram.
Mas sempre conseguimos ter uma posição equilibrada.
Em
algum momento você foi contra ao saber que seus filhos queriam
ser atores?
No começo, sim. Falamos muito da necessidade do estudo. Era
a prioridade. Eles eram jovens e podiam estar indecisos. A Beth
estreou com 13 anos, mas tinha que estudar. Então ela só
tirava o primeiro lugar. E a gente via o sacrifício.
Acha
que você e a Nicette influenciaram a escolha deles?
Claro que sim. Tenho uma profissão muito fascinante. Eles
iam para o teatro conosco. Para que você entre no universo
de um filho, você tem que deixar ele entrar no seu universo,
dentro dos limites. Quando queria saber da escola, falava para eles:
Papai recebeu esse convite para fazer isso, vocês acham
que é bom? Era muito legal porque eles sentiam que
podiam dar palpite no meu trabalho. Em troca, eu podia perguntar:
E a escola, como vai?.
próxima>>
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