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PAULO GOULART

14/05/2001

“Ciúme abastece a relação”
Aos 67 anos, o ator conta que a mulher Nicette Bruno sacrificou a carreira pelos filhos, diz que com o tempo as diferenças aparecem mais e garante não temer a morte

Vivianne Cohen

Piti Reali

Aos 67 anos, Paulo Goulart ainda consegue surpreender. Foi idéia dele ficar de quatro durante a sessão de fotos e cantarolar entre as poses os funks “Cerol na Mão” e “Um Tapinha Não Dói”, no Teatro Sesc Copacabana. É onde vai reestrear em junho a peça Crimes Delicados, ao lado da mulher, Nicette, com quem está casado há 47 anos, e da filha Bárbara Bruno.

Com 50 anos de carreira, ele não perde a oportunidade de fazer graça. Não é para menos. Acumulou nesses anos papéis marcantes como o vilão Nonato na novela Mulheres de Areia e o bon vivant Altair, de O Dono do Mundo. Paulistano, mantém dois endereços – um no Rio, para quando está gravando na televisão, e outro em São Paulo, onde mora a família. Pai de três filhos e avô de sete netos, ele se prepara para voltar à tevê em A Padroeira, próxima novela das seis da Globo.

É complicado trabalhar com a família?
Não é fácil. Tem que respeitar a individualidade de cada um e isso eu e a Nicette sempre cultivamos muito. Uma relação entre artistas só terá uma longa vida se você preservar isso. Fizemos isso desde que nos casamos. Com os filhos, nós procuramos exercitar a mesma coisa dentro do tempo deles. Quando eles atingiram a idade de escolher profissões, já tinham uma consciência de como era essa nossa relação. Quando tivemos as primeiras experiências, não foi fácil, porque você quer ajudar e, se não respeitar... E ser filho de artista deve ser difícil, eles mesmos se cobram. Mas sempre conseguimos ter uma posição equilibrada.

Em algum momento você foi contra ao saber que seus filhos queriam ser atores?
No começo, sim. Falamos muito da necessidade do estudo. Era a prioridade. Eles eram jovens e podiam estar indecisos. A Beth estreou com 13 anos, mas tinha que estudar. Então ela só tirava o primeiro lugar. E a gente via o sacrifício.

Acha que você e a Nicette influenciaram a escolha deles?
Claro que sim. Tenho uma profissão muito fascinante. Eles iam para o teatro conosco. Para que você entre no universo de um filho, você tem que deixar ele entrar no seu universo, dentro dos limites. Quando queria saber da escola, falava para eles: “Papai recebeu esse convite para fazer isso, vocês acham que é bom?” Era muito legal porque eles sentiam que podiam dar palpite no meu trabalho. Em troca, eu podia perguntar: “E a escola, como vai?”.

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