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Abajur
Lilás
Peça de Plínio Marcos volta em excelente
montagem
Cristian
Avello Cancino
| Divulgação |
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Abajur Lilás: peça de Plínio Marcos está entre as melhores estréias
do ano |
O dramaturgo
santista Plínio Marcos é de um realismo alucinante,
que coloca o Estado autoritário na pele de um cafetão,
e os dominados na pele carcomida de prostitutas achacadas. É
uma imagem forte, associada ao enredo do espetáculo Abajur
Lilás, que estreou em São Paulo na semana passada,
confirmando o talento do jovem diretor Sérgio Ferrara (que
vem da excelente montagem de Barrela, do mesmo Plínio
Marcos, apresentada em 1999 com Antônio Petrin à frente
do elenco).
Na
época em que foi escrita, Marcos atacava a ditadura com a
história de Giro (nesta montagem interpretado por Francarlos
Reis), cafetão homossexual que emprega as prostitutas Dilma
(Esther Góes), Célia (Magali Biff) e Leninha (Lavínia
Pannunzio), sua massa de manobra. Célia, inconformista,
consciente da exploração que cerceia sua liberdade
e a das colegas, revolta-se quebrando o abajur lilás que
decora o mocó onde vivem e trabalham. A partir
daí, Giro começa a torturar suas protegidas,
chegando a situações-limite que, se não representam
mais a tortura vivida nos porões da ditadura, remetem diretamente
à condição atual que nos impõe a miséria
social das grandes cidades brasileiras.
Abajur
Lilás, peça escrita em plena época de ditadura,
em 1969, prova seu caráter atemporal, desnudando as relações
de poder existentes numa ordem historicamente arraigada ao corpo
social brasileiro, infelizmente não superada. A direção
iluminada de Sérgio Ferrara torna o legado de Plínio
Marcos delicioso, cruel e, acima de tudo, mais do que necessário.
Estilhaçando a ditadura
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