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DRAMA

14/05/2001

Abajur Lilás
Peça de Plínio Marcos volta em excelente montagem

Cristian Avello Cancino

Divulgação
Abajur Lilás: peça de Plínio Marcos está entre as melhores estréias do ano

O dramaturgo santista Plínio Marcos é de um realismo alucinante, que coloca o Estado autoritário na pele de um cafetão, e os dominados na pele carcomida de prostitutas achacadas. É uma imagem forte, associada ao enredo do espetáculo Abajur Lilás, que estreou em São Paulo na semana passada, confirmando o talento do jovem diretor Sérgio Ferrara (que vem da excelente montagem de Barrela, do mesmo Plínio Marcos, apresentada em 1999 com Antônio Petrin à frente do elenco).

Na época em que foi escrita, Marcos atacava a ditadura com a história de Giro (nesta montagem interpretado por Francarlos Reis), cafetão homossexual que emprega as prostitutas Dilma (Esther Góes), Célia (Magali Biff) e Leninha (Lavínia Pannunzio), sua “massa de manobra”. Célia, inconformista, consciente da exploração que cerceia sua liberdade e a das colegas, revolta-se quebrando o abajur lilás que decora o “mocó” onde vivem e trabalham. A partir daí, Giro começa a torturar suas “protegidas”, chegando a situações-limite que, se não representam mais a tortura vivida nos porões da ditadura, remetem diretamente à condição atual que nos impõe a miséria social das grandes cidades brasileiras.

Abajur Lilás, peça escrita em plena época de ditadura, em 1969, prova seu caráter atemporal, desnudando as relações de poder existentes numa ordem historicamente arraigada ao corpo social brasileiro, infelizmente não superada. A direção iluminada de Sérgio Ferrara torna o legado de Plínio Marcos delicioso, cruel e, acima de tudo, mais do que necessário. Estilhaçando a ditadura

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