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16/04/2001

GASTRONOMIA

Na cozinha sem ser Amélia
Elas saíram do anonimato quando acabaram com o mito de que só o homem ganha dinheiro com a gastronomia

Luís Edmundo Araújo e Edwin Paladino

Elas são mulheres de verdade, mas, ao contrário da Amélia de Mário Lago e Ataulfo Alves, têm vaidade e, em vez de passar fome ao lado do companheiro, como diz a letra do samba, preferiram pôr a mão na massa e tocar os próprios negócios. Da cozinha de casa, Silvana Bianchi, dona do restaurante Quadrifoglio, Lúcia Lacombe, do Celeiro, Flávia Quaresma, do Carême Bistrô, Mara Rocha Mello, do Café Pâtisserie, e Carla Pernambuco, do Carlota, passaram a pilotar fogões mais possantes e lucrativos.

As amélias modernas viraram empresárias de sucesso. Em seus restaurantes e café, cada uma delas chefia equipes de cerca de 30 funcionários. A rotina das novas chefs é completada com viagens constantes à Europa e aos Estados Unidos, para se manterem atualizadas, e muito trabalho, só que fora de casa. “Minha empregada diz que não entendo nada de cozinha”, diverte-se Flávia Quaresma, especialista na culinária francesa. Vida de cozinheira-empresária é assim: muito trabalho, mas só fora de casa. “Cozinhar em casa, só no fim de semana e a lazer”, conclui Lúcia Lacombe.

LÚCIA LACOMBE / CELEIRO
Leandro Pimentel
CORES NO PALADAR Usar no máximo três temperos por prato e variar as cores da comida que faz diariamente. “É bom ter uma mesa com várias cores. Uso esse artifício com meu filho para ele comer de tudo.”

Lúcia Lacombe Herz (no centro da foto) até tentou ficar de fora da tradição culinária da família. Quando a mãe, Rosa, abriu o restaurante Celeiro, em 1982, ela estudava psicologia e deixou o cargo de parceira da mãe para a irmã, Beatriz. Mas depois de se formar e trabalhar um ano na profissão de seu diploma, ela deixou a vocação falar mais alto. E começou a fazer pão em casa. De padeira, passou a sócia do Celeiro, e hoje é ela quem comanda, junto com a mãe, os 33 funcionários do restaurante do Leblon, na Zona Sul carioca.

Apesar de adotar o sistema de comida a quilo, o Celeiro nada tem a ver com os restaurantes populares do centro do Rio. A diferença começa no paladar e termina no preço: R$ 37 o quilo. Representante da quarta geração de cozinheiras na família, Lúcia adicionou à herança caseira, a experiência de cursos em Nova York, além do aprendizado quando viaja a lazer. “Aproveito as viagens de férias para, com todo o prazer, conhecer tudo”, diz. Casada com o empresário Marcelo Quintella e mãe de Caetano, 6, a dona do Celeiro não tem tempo para cozinhar em casa no dia-a-dia, mas vai à forra no fim de semana. É quando ela usa em casa a receita de seu sucesso na vida profissional. “Cozinhar para mim é misturar intuição, experiência e criatividade.”

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