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“Sou
calhorda e canalha”
Há dois anos longe do álcool e das drogas, a cantora,
que acaba de lançar um disco, emagreceu 35 quilos,
se diz completamente alucinada e conta que nunca
teve prazer no sexo
Márcia
Montojos
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Leandro Pimentel
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Fevereiro,
Teatro Rival, centro do Rio. Uma fã sobe ao palco e tasca
um beijo na boca de Ângela Rô Rô. Homossexual
assumida, a cantora retribui com uma apalpada nas nádegas
da moça, arrancando gargalhadas da platéia. Quem assistiu
à cena poderia supor que nada mudou no perfil da cantora
que estreou há 23 anos no Teatro Ipanema. Engano. Aos 50
anos, a irreverência continua a mesma, mas o copo de uísque
num canto do palco foi substituído por água mineral.
Sem
beber e consumir drogas há dois anos, ela acaba de lançar
o CD Acertei no Milênio. Mas antes a cantora chegou
ao fundo do poço. O auge da depressão foi em 1997,
com a morte do pai, vítima de anorexia nervosa. Dois anos
depois, perdeu a mãe. Na época, chegou a pesar 105
quilos. Foi quando percebeu que mudar os hábitos era uma
questão de sobrevivência. Hoje se permite brincar com
a situação. Se você continuar com esse
papo, vou acabar pedindo um cigarro e uma cachaça,
ameaçou, rindo.
Em
que momento tomou a decisão de parar de beber e fumar?
Não tive clique. Não agüentava mais meu próprio
corpo, não tinha fôlego. Então, abandonei o
kit suicídio. Tudo de uma vez. Não dava para parar
o cigarro e continuar a bebida e tudo mais. Perdi 35 quilos, ainda
faltam dez e a gordura localizada.
Fez
algum tipo de tratamento?
Que tratamento, cara? Não consigo nem fazer tratamento para
nascer cabelo em ovo (aponta para a cabeça mostrando que
está com problemas de queda de cabelo).
Você
está malhando?
Malhando? Estou desintoxicando, valorizando minha vida. Ando, faço
bicicleta em casa, tenho até outros aparelhos. Estava um
trapo, uma porcaria. Hoje até tenho distensões musculares
de fazer remo. Já tenho pelo menos um músculo no corpo.
próxima>>
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