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“Descobri
o salto alto aos 60”
Sucesso como vilã em Porto dos Milagres, a atriz diz que tem
um pé na transgressão, encara o salto alto como desafio e acredita
que só era escalada para viver “mulheres do povo” por usar apenas
sapatos baixos e fechados, e parecer desglamourizada
Rosângela
Honor
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André durão |
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Em
casa, Arlete conta que usar salto alto lhe deu oportunidade
de fazer outros papéis: “Havia algo errado e partia de mim”
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Desde
que Porto dos Milagres estreou na Globo, o brilho de Arlete Salles
como a ambiciosa Augusta Eugênia se destaca.
Não só pelo talento, reconhecido, mas pela silhueta.
Enquanto delicia o público com a personagem, chama atenção
pela boa forma física. Pernambucana de Pau DAlho, a
atriz, que era locutora de rádio em Recife, vive uma das
melhores fases. Além da tevê, faz sucesso em A Vida
Passa, peça escrita por Miguel Falabella. Nessa rotina, só
abre mão de caminhar na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio,
quando as gravações aceleram. Mas recorre à
esteira na casa de três andares no Jardim Botânico onde
mora com a mãe, Severina, um dos filhos e as cadelas Kika
e Xará. Sempre sorridente, ela vibra com suas descobertas
após completar 60 anos data que não revela.
Há um ano, a dança de salão a livrou do bloqueio
para dançar. Descobriu ainda o salto alto. Mãe de
Alexandre, 38 anos, e Gilberto, 35, avó de Pedro, 14, e Joana,
4, Arlete recebeu Gente usando sandálias altas, vermelhas
e com strass.
Além
de elogios ao trabalho, sua forma fisica chama atenção
na novela. O que tem feito?
Na época de Meu Bem Querer, em 1998, emagreci sete quilos
e mantenho o peso até hoje. Sou vaidosa, gosto de estar bem
com o meu corpo. Adoro vestir uma roupa e me sentir bem. Sinto mais
vigor e segurança. Depois da dieta aprendi a comer pouco,
mas não gosto da ditadura de saladas e grelhados. Só
me submeti a isso quando queria perder peso. Adoro tomar um bom
café da manhã com pão integral, queijo de minas,
mas nem pensar em ovos fritos com bacon. Adoro sorvete e bolo, mas
como com cautela. Faço caminhadas diárias. Quando
isso não é possível, faço esteira em
casa. Já fui a academias, mas de uns anos para cá
fiquei mais arredia, gosto de ficar sozinha.
Por
quê?
Depois dos 40 anos passei por um processo de mudança. Inconscientemente,
promovi uma revolução em mim. Era uma mulher noturna
e fiquei uma mulher diurna. É uma idade delicada, assim como
os 60, que é marcante. Aos 40 você percebe que não
é mais jovem e começa a questionar como viver dali
por diante. É difícil. É o momento da parada,
da reflexão. Às vezes é doído. Fui ficando
introspectiva. Sempre fui expansiva, barulhenta. Fiquei mais silenciosa,
recolhida.
Mas
você entrou em crise?
Teve uma hora em que pensei: Não tenho mais juventude.
Depois descobri que não tinha juventude mas tinha mocidade,
que havia muita coisa para ser vivida. Aí encontrei o equilíbrio.
E a chegada dos 60?
Outro dia comecei a fazer dança de salão. Ia fazer
uma peça e precisava dançar um tango. Nunca havia
dançado nada na vida. Casei grávida aos 16 anos, os
Beatles espocando e eu olhando da janela porque já tinha
um bebê para cuidar. Tinha o maior bloqueio quando chegava
a uma festa. Hoje danço bolero e vou começar a aprender
a salsa. A dança me tornou mais feminina, segura. Foi uma
grande descoberta aos 60 anos.
Mas
houve crise como nos 40?
Trabalhava muito. De vez em quando o coração disparava
quando lembrava que ia fazer 60 anos. Mas sou geminiana, não
consigo ficar presa a um só sentimento por muitas horas.
Eu pensava: Vou envelhecer, sim, não é agradável
esta idéia, mas ainda estou moça, ainda posso realizar
projetos e promover mudanças.
Que
tipo de mudanças?
Eu era uma mulher que só andava de sapatos fechados e meias.
Um dia resolvi mudar. Resolvi usar sandálias e ver como que
ficava. Só andava de salto baixo e quando botava um salto
alto andava feio. Decidi corrigir isto, queria caminhar de salto
alto. É feminino, bonito. Acho que até por isso só
me escalavam para fazer mulheres do povo, desglamourizadas. Percebi
que havia algo errado e que partia de mim. Gosto desses personagens
sim, sou grata a eles mas também quero fazer outro gênero.
próxima>>
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