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SERGINHO GROISMAN

05/03/2001

“Não vou apelar para ter Ibope”
Aos 50 anos, o apresentador da Globo sonha em se casar pela primeira vez, cita seu fã-clube no Japão para dizer que o Altas Horas poderia passar de dia, mas não reclama do horário da madrugada

Rodrigo Cardoso

Edu Lopes

A paixão pelo Corinthians segue a mesma. No bate-papo que teve com Gente, em seu apartamento em São Paulo, o apresentador Serginho Groisman interrompeu a entrevista para ligar o aparelho de tevê e acompanhar a derrota do seu time de coração para a Matonense, do interior do Estado.

De bermuda e camiseta, recém-recuperado de uma gripe, o porta-voz dos adolescentes mudou alguns costumes. Desde o final do ano passado, se exercita numa academia de ginástica. Entre corridas na esteira e levantamento de peso, procura ganhar resistência aeróbica. “Os professores falam em me deixar com músculos. Mas eu não quero.”

Agitador cultural de um colégio paulista na juventude, Serginho há onze anos se dirige à mesma platéia adolescente na tevê. Depois de passar pela Bandeirantes, Gazeta, Cultura e SBT, ele testa há 21 semanas sua fórmula no Altas Horas, da Globo. Aos 50 anos, solteiro e vivendo sozinho, ele se diverte em teatros e cinemas. E diz que ainda sonha com casamento e um filho. “É, estou precisando achar uma parceira que queira se casar logo.”

Você queria ter um programa diário?
Queria, mas estou contente em fazer o semanal. Num outro horário teria mais visibilidade, mas isso é uma coisa da grade da Globo. Por outro lado, trato de temas que, num horário mais visível, talvez não pudessem ir ao ar, como sadomasoquismo.

O horário noturno foi o que restou, certo?
A opção foi minha. O Altas Horas é um programa noturno, mas pode virar diurno. Também pode virar diário. No Japão estamos passando de dia (risos). Tenho até fã-clube lá. No Altas Horas brinco muito com a palavra Japão. Ando nas ruas e as pessoas gritam “Japão” e não só “Fala, Garoto”.

Foi a primeira vez que você ficou tanto tempo sem um programa seu no ar. O que sentiu?
Nenhum fantasma rondou minha cabeça. Eu tinha trabalho, não tinha ócio. Enquanto tentava acertar o Altas Horas, apresentava outros dois programas. Apresento o Ação, aos sábados, o Fala Galera, do canal Futura, que também são gravados. Cobri o Carnaval de São Paulo ao vivo e em Salvador ajudei a TV Bahia a comentar o Carnaval. Fui passar o réveillon lá. Sou muito feliz em Salvador, sempre (risos).

Você foi engolido pela grade de programação. A princípio, entraria no lugar de Malhação, mas o programa melhorou no Ibope.
Me ofereceram um tempo de programa que não curtia. Eram 30, 40 minutos diários. Então, sugeri à noite. Nunca me prometeram horário específico. Ninguém me enganou.

Mas a Marluce Dias (diretora geral da Globo) não estava tão certa disso quando o programa estreou.
Imagina! Ela tinha toda a certeza. Não precisou de nenhum tipo de pressão. Teve, sim, por parte da Globo, uma incerteza quanto à direção do programa. Antes do Maurício Arruda, tivemos o Alberto Luchetti e o Luiz Gleiser. O Gleiser começou e depois foi chamado para o Faustão e o Luchetti, quando chegou, já pegou o programa mais ou menos pronto. Mas não houve nenhuma briga. Não sou briguento.

Por que a demora para a estréia?
Por vários motivos. Minha primeira missão, quando entrei, era estruturar o Ação. Fiquei três meses nele. Daí, comecei a trabalhar com o Altas Horas. Durante três meses elaborei um projeto de programa diário. Fiz uma apresentação, como se fosse uma defesa de tese, para o conselho da Globo. Não rolou por causa do tempo curto que teria na grade. Aí, propus: “Vocês topam quatro horas ao vivo na madrugada do sábado para domingo?”. Deram o sinal positivo e em três meses um piloto ficou pronto. Vi o piloto e achei que era inviável. Propus outro de duas horas, só que gravado. E assim foi. Tô me divertindo e é o que preciso: me divertir.

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