|

| SERGINHO
GROISMAN |
05/03/2001
|
“Não
vou apelar para ter Ibope”-
continuaçãO
|
Edu Lopes |
 |
A
morte de seu pai também contribuiu para essa demora?
Fiquei mais de um mês fora de circulação com
a morte dele. Meu pai ficou doente em junho passado e, em 15 dias,
morreu. Não gosto de falar sobre as razões de sua
morte. Colocaram-no para dormir e ele não acordou mais.
O
que o confortava nesse tempo?
Aconteceram algumas coisas interessantes, loucas até. A morte
do meu pai fez com que eu o sentisse mais presente. Uma noite, antes
de dormir, pensei: Pô, nunca mais vou ter a chance de
vê-lo. Mas daí consegui vê-lo num sonho.
E ele estava ótimo. O sonho é tão real que
percebi que havia uma maneira de encontrá-lo. Meu pai adorava
jogar na loteria esportiva. Vivia falando que sonhava pouco com
a mãe dele, mas em duas oportunidades ele ganhou na loteria
depois de sonhar com minha avó. Depois que passei a sonhar
com ele, as coisas começaram a andar. O programa estreou,
fiz amizades novas, minha mãe, que estava com um problema
de saúde, melhorou. Não sou esotérico, nem
espiritualista, mas é curioso, né? Sempre tive muito
medo de perder as pessoas. E perdi meu pai. Quem me ajudou muito,
nessa fase, foi o rabino Henry Sobel.
De
que forma ele ajudou?
Liguei para ele. Não dá para pensar em túmulo,
caixão, procedimentos religiosos nessas horas. E ele me ajudou
em tudo. Fiquei sete manhãs e sete fins de tarde indo na
sinagoga, porque há uma reza para os mortos no judaísmo.
Tinha de usar uma camisa rasgada da gola até o peito, que
simbolizava um coração rompido. Não fiz a barba.
Os espelhos da casa da minha mãe foram cobertos. Não
há vaidade durante uma semana. Nesse tempo, você se
recolhe e pensa na pessoa que se foi. Depois de sete dias, dei uma
volta no quarteirão, que significava um retorno à
sociedade. Durante esse mês e pouco em que fiquei longe da
Globo, andaram dizendo que eu iria pedir demissão.
Como
está sua mãe?
De mudança para a casa da minha irmã. Ela assiste
ao programa no meio da platéia e foi adotada pela produção
do Altas Horas. As pessoas saem para almoçar com ela.
Qual
foi o momento mais divertido do Altas Horas até agora?
Quando trouxemos um atirador de facas. O cara errou várias
vezes e
uma das facas perfurou o cenário. Sensacional! Um atirador
de facas cego! A menina que era cobaia dele trabalhava pela primeira
vez com o cara. Vai saber o que tinha acontecido com a anterior!
Antes de ir ao ar, perguntei para a garota que produz o quadro o
que ela achava. Ela disse: Olha, estou com um pouco de medo.
No ensaio, a menina se cortou um pouco.
|
Edu Lopes |
 |
Acha
que o Festival da Música Brasileira queimou seu filme?
Aceitei fazê-lo porque era diferente das coisas que sempre
fiz. O primeiro dia foi quase um ensaio ao vivo. Meu ponto foi desligado
e, a certa hora, não sabia que um candidato cantaria novamente
por causa de um problema técnico. Comecei a improvisar um
texto até que o diretor voltou berrando no ponto: Ele
tem que repetir a música!. São pequenas vaciladas
que as pessoas notam, é um evento que tem de ser impecável.
Eu erro no meu programa! Só que o Festival era um tipo de
Jornal Nacional. Olhavam com mais rigor. Mas não foi
uma experiência negativa.
Faz
onze anos que lida com adolescentes. Já pensou em fazer outra
coisa?
Quero um Talk Show, mas agora não dá, não tenho
tempo. É legal trabalhar com adolescentes porque eles ainda
mudam de idéia, um bom argumento os convence. Depois que
ficamos mais velhos queremos manter a nossa posição
ao invés de mudá-la frente a um argumento. Me divirto
sem ser um adolescente. Enquanto me aceitarem assim, vou continuar
fazendo o que faço.
A
audiência do Altas Horas caiu desde o ano passado.
O programa estreou à 1h da madrugada e deu 11 pontos. O problema
é que, quanto mais tarde ele for ao ar, menos pessoas estarão
vendo. Ele nunca perdeu de nenhuma outra emissora. Nas duas semanas
em que começamos à meia-noite registramos 13 pontos.
Já ocorreu de a gente ir ao ar às duas da manhã
e registrarmos 7 pontos. Quero que as pessoas assistam ao programa,
quero estar sempre em primeiro lugar. Mas não vou apelar
para ter Ibope.
Antes
da sua estréia, alguns filmes davam mais Ibope do que o seu
programa. O Altas Horas custa cerca de R$ 200 mil por semana.
Acha que para a Globo está sendo viável?
Não acredito que o programa custe tudo isso. Mas, enfim,
se você apurou esse número... Um jornal de publicidade
e marketing falou que o Altas Horas é um espaço
novo para investimento e que o mercado está de olho no programa.
São esses dados que tenho.
Em
setembro você completa dois anos de Globo. Na época
do convite havia uma boa contraproposta do SBT. Por que você
abriu mão de ser uma estrela no SBT?
Se eu chegasse para o Silvio e exigisse o horário das 20h,
ele iria me falar: Tá bom, você me dá
quanto de audiência?. Você acha que eu segurava
essa cobrança com o tipo de trabalho que eu fazia lá?
Com o Programa Livre, que dava 5 pontos, e sem poder contar
com uma estrutura melhor de trabalho? Se ficasse no SBT, ganharia
mais dinheiro e ponto.
Você assiste ao Programa Livre?
Não. Mudou um pouco. A Babi participa mais, né? Tem
uma cadeira, agora. O que eu acho? Nada.
<<anterior
|