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26/02/2001

MÚSICA

Santo rock’n roll
Doze freiras que estudam bateria, guitarra e baixo convivem com punks e metaleiros numa escola de música paulista e querem gravar disco com canções religiosas

Rodrigo Cardoso

Edu Lopes
 
  Irmã Juliana, 22 anos, faz aulas de bateria: “Não é comum uma freira tocar bateria”

Mês passado o Instituto de Música e Tecnologia, de São Paulo, uma das maiores escolas do gênero da América Latina, com 2.500 alunos, recebeu a visita de 17 jovens irmãs carmelitas do Espírito Santo.

A primeira reação de Wander Taffo, proprietário da escola e ex-guitarrista da banda Rádio Táxi, foi fazer o sinal da cruz. Acostumado a ver cabeludos, gente tatuada e com piercing no nariz, não entendeu o que aquelas mulheres, vestidas de hábito, queriam ali. “A gente toca para Deus. Por que não melhorarmos nossa performance para ele?”, explicou irmã Anne, 22 anos, convertida há quatro e craque na guitarra.

Edu Lopes
“Irmã Edileine (no detalhe), 18 anos, é uma das vocalistas da banda, que é formada por outras 11 freiras

E assim irmã Anne, irmã Juliana, irmã Maria Beatriz e outras nove freiras passaram a tomar aulas de bateria, canto, baixo, violão, guitarra e teclado. “Meu professor usa uns óculos muito doidos”, conta irmã Juliana. Juntas, elas formam o Ministério Chama Viva, um grupo que desde 1997 evangeliza por meio da música e se apresenta em paróquias, retiros espirituais e ginásios.

Dependendo de onde tocam, elas recebem doações que totalizam de R$ 30 a R$ 150. “Já tocamos em cima de caminhão, no meio de uma favela”, conta irmã Flávia, uma das vocalistas da banda. “Já ouvi da platéia: ‘Pô, irmã, você é animal’”, conta irmã Juliana. “Não é comum uma freira tocar bateria, por isso se espantam.”

Uma vez por semana, as doze freiras encaram 40 minutos de ônibus para chegar à escola. Por uma hora e meia, tempo de duração das aulas, dividem as atenções com roqueiros, punks e metaleiros. “Elas vivem em outro mundo. Aqui dentro é como se estivessem em Marte”, compara Taffo. Mas quais seriam as influências musicais da freiras? “Você se refere às músicas do mundo?”, indaga a irmã Flávia.

Antes da conversão, afirma ela, escutavam Paralamas do Sucesso, Titãs e Marisa Monte. Agora só ouvem canções religiosas. Irmã Juliana conheceu Beatles apenas no primeiro dia de aula, como relata Taffo. “Nossa, professor, que música linda”, disse ela, ao entrar na sala de aula. “É ‘We Can Work It Out’ dos Beatles”, respondeu o professor à irmã, que de imediato se entregou: “De quem?”.

Edu Lopes
“Já ouvi da platéia: ‘Pô, irmã, você é animal", diz Irmã Juliana

De volta ao convento, onde moram com outras 40 freiras, elas ensaiam na capela, no quintal ou na garagem, e preparam o repertório para um futuro CD. Isso quando encontram tempo. Todas acordam diariamente às 5h30. Meia hora depois começam a rezar e só terminam às 7h30.

Só então, tomam café da manhã. Ao meio-dia tornam a rezar. Das 13h às 14h curtem um recreio, quando se reúnem para um bate-papo. “Durante a manhã e a tarde a gente só fala o necessário”, conta irmã Anne. É verdade. Após o intervalo as freiras encaram uma sessão de leitura espiritual e seguem rezando até a hora de jantar e se recolher aos quartos. “Elas são gente fina”, define Taffo. “O povo de Deus é a maior paz.”

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