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26/02/2001

SOLIDARIEDADE

Advogada dos favelados
Belgica Lins estudou apenas até a quarta série, mas mudou a história de 1.200 famílias da periferia de São Paulo

Gustavo Maia

Edu Lopes
“Às vezes eles oferecem um dinheirinho, mas eu não aceito"’, diz Belgica

Na segunda-feira 12, São Paulo parou por aproximadamente três horas. Um grupo de moradores da favela Tiquatira, na zona leste da cidade, ateou fogo num trecho da Marginal do rio Tietê e interditou o trânsito da maior via da capital paulista.

Eles protestavam contra o desaparecimento de um favelado, que acreditavam ter sido morto pela polícia. Diante da situação caótica, o comando do 10º DP da Penha tomou uma atitude inesperada. Mandou chamar a líder comunitária Belgica Lins, 44 anos.

Meia hora depois, o protesto estava controlado e os moradores de volta à favela. “Não adianta pôr fogo. Protesto tem que ser pacífico”, diz Belgica. “Assim a gente não consegue a dignidade que busca.”

Dona Belgica, como é conhecida pelas 1.200 famílias da favela, estudou apenas até a quarta série. Mesmo assim, ela é uma espécie de advogada da comunidade. Consegue remédios, psicólogos e material escolar para as crianças, cadeira de rodas para os deficientes e trabalho para os desempregados. Sua casa, uma das únicas construídas em alvenaria na Tiquatira, serve de posto de saúde, escola e até posto telefônico, cuja conta mensal ela subtrai do próprio bolso.

Edu Lopes
Os moradores da favela Tiquatira bloquearam a maior avenida de São Paulo e a polícia chamou Belgica

Ela nasceu na Argentina, foi adotada por uma família de Votuporanga, no interior de São Paulo, e abandonou o primeiro marido, com quem teve três filhos, depois de ser espancada no corte da cesariana da última gravidez. Há 25 anos, vive com o carpinteiro Manoel Félix Rodrigues, com quem teve um casal de filhos. A família sobrevive com os R$ 220 que o marido recebe mensalmente.

“Às vezes ele me dá um passe de ônibus para eu ir atrás das coisas. Senão eu vou a pé”, revela a líder comunitária, que chega a caminhar por três horas até a sede da Administração Regional da Penha, onde cuida dos documentos de desapropriação indenizada dos barracos erguidos em áreas de risco.

Para completar, Belgica ainda trabalha como secretária dos moradores, lembrando-os dos vencimentos de contas, audiências nos tribunais e encontros com médicos e dentistas. “Se a gente não lembra, eles esquecem. Aí não adiantou eu ter marcado”, diz. “Às vezes eles oferecem um dinheirinho, mas eu não aceito. Um ‘muito obrigado’ é tudo o que exijo.”

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