|

O
teatro digital de Zé Celso
Paula
Alzugaray
|
Divulgação |
 |
|
Zé Celso: sonho de levar o teatro à tevê |
Desde
que voltou do exílio, no começo dos anos 80, o diretor
José Celso Martinez Corrêa fomenta o sonho
de fazer um teatro plugado com a tevê. Em 1984,
concebeu com a arquiteta Lina Bo Bardi um Teatro Oficina bárbaro,
primitivo, mas tecnizado, com uma estrutura compatível
com as mídias eletrônicas. Na quinta-feira 23, com
a reestréia da peça Boca de Ouro, o projeto
multimídia de Zé Celso começa a virar realidade.
A partir
dessa data, dez peças do repertório da companhia
entre elas Cacilda!, Ham-let, Mistérios
Gozosos e a inédita Os Sertões
serão digitalizadas em DVD e transmitidas via internet pela
TV UOL e no site www.teatrooficina.com.br.
Você
não pode ignorar a tecnologia assim como não ignora
a luz elétrica. No teatro do nosso tempo, o ator tem que
trabalhar todas as mídias, diz
Zé Celso. Estamos multiplicando isso ao máximo,
para tirar o teatro do isolamento. Durante as apresentações
dos dias 10 e 11 de março, os atores de Boca de Ouro
irão contracenar com seis câmeras digitais, dirigidas
pelo videomaker Tadeu Jungle. Um dos operadores de câmera
convidados será Dib Luft, o fotógrafo do Cinema Novo,
que lançou-se com uma câmera na mão e
uma idéia na cabeça.
|
Ana Ottoni/Folha Imagens |
 |
|
Tadeu Jungle: o videomaker invade o palco |
O projeto,
batizado de Festival Teatro Oficina, não pretende apenas
eternizar o repertório do Oficina, mas criar um novo produto,
híbrido de tevê e teatro. Evidentemente as peças
terão uma leitura tradicional. Mas não
apenas, afinal estarão sendo lidas por uma outra mídia.
Há
muito deixamos de acreditar na objetividade do documentário,
diz Tadeu Jungle, que conheceu Zé Celso em 1980, quando terminava
o curso de televisão na Escola de Comunicação
e Artes de São Paulo. Conhecer o Zé Celso foi
um divisor de águas. Desde então, sempre atuou como
um farol, conta Jungle, que promete entrar em cena com uma
câmera-carne, mostrando os atores em closes e
ângulos de visão nada habituais às platéias
de teatro.
|