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19/02/2001

Polêmica

A prefeita do frevo quer acabar com o axé
Luciana Santos, do PC do B, proíbe a música baiana em Olinda e vai multar em R$ 5 mil os foliões que infringirem a lei e concorrerem com os desfiles do ritmo local

Cesar Guerrero de Olinda (PE)

Piti Reali
 
  A prefeita Luciana Santos: “O Carnaval está perdendo sua identidade”

Ela nem bem esquentou a cadeira de prefeita e já criou polêmica. Luciana Barbosa de Oliveira Santos, 35 anos, é a primeira integrante do Partido Comunista do Brasil, o PC do B, a governar uma cidade. Assumiu no dia 1º de janeiro a prefeitura de Olinda, na região metropolitana de Recife, e tomou a primeira medida: axé e ritmos carnavalescos de outros Estados, como o samba ou o pagode, estão proibidos de ser tocados em volume alto.

Quem se arriscar a infringir a lei, estará sujeito a multa de R$ 5 mil. “Nós vamos multar mesmo”, diz a prefeita. “O Carnaval é o momento de grande expressão cultural do nosso povo e está perdendo sua identidade.” Na prática, a prefeita quer acabar com a concorrência criada por turistas que colocam aparelhagem de som nas janelas das casas do centro da cidade e tocam músicas do carnaval baiano.

Há três anos, algumas empresas cresceram e passaram a cobrar taxa de R$ 800 em troca de acomodações, refeições e equipamento de som para criar pequenos focos de foliões que cantam e dançam axé e outros ritmos típicos dos trios elétricos baianos. “Esses focos de animação atrapalham os blocos tradicionais do carnaval de Olinda”, diz Luciana. “É impossível ouvir uma orquestra de frevo com o barulho que essas casas fazem.”

Piti Reali
Tharcio Botelho, 71 anos, presidente do Bloco do Homem da Meia Noite, que arrasta multidões há 69 anos

Na velha guarda do frevo a idéia foi recebida com entusiasmo. “A turma coloca uma parafernália de som na janela, ocupa a rua e não deixa o frevo passar”, diz Tharcio Botelho, 71 anos, presidente do Clube de Alegorias e Críticas O Homem da Meia Noite, um dos blocos mais famosos de Olinda, que desfila há 69 anos no primeiro minuto do domingo de carnaval. “Já era hora de alguém acabar com essa pouca vergonha.”

A maior discordância está na nova geração. “Ela quer controlar o que o povo vai ouvir numa festa democrática como o Carnaval”, alfineta Alexandre Gueiros, 35 anos, sócio do Nana Banana, um dos maiores blocos de música baiana que participa da festa em Olinda. “Nós já investimos R$ 60 mil na cidade, mas esse ano não vamos fazer nada”, promete.

Rogério Paes, 32, um dos donos do bloco Maluco Beleza, compartilha a opinião. “A prefeita deveria se preocupar com a segurança dos foliões em lugar de querer controlar a vontade dos outros”, diz. “A festa deste ano em Olinda vai ser muito fraca”, afirma, referindo-se ao um milhão de foliões no Carnaval olindense.

Piti Reali
 
  Rogério Paes, 32, um dos donos do Maluco Beleza, bloco que defende a música baiana

Luciana entrou para o PC do B, em 1987, quando era líder estudantil na Universidade Federal de Pernambuco. Chegou a ser vice-presidente da União Nacional dos Estudantes e, depois de formada em engenharia, se elegeu deputada estadual.

A prefeita é daquelas que gosta de Carnaval. Antes mesmo de pensar em ter qualquer cargo público, já se irritava com a disseminação do axé baiano dentro da tradicional festa de Olinda.

“Desde menina, sempre saí nos blocos mais tradicionais da cidade”, diz. “Não é que eu não goste de música baiana, mas sempre quis preservar as raízes da nossa cultura.”

Com esse mesmo espírito de foliã do frevo, ela vai aproveitar este Carnaval ao lado do marido Cassio de Carvalho, analista de sistemas da Companhia Elétrica de Pernambuco, com quem vive há quatro anos. Luciana quer percorrer cada ladeira de Olinda e ficar de olho se tudo está em ordem. “Mas não vai dar para brincar muito”, diz. “Tenho que tomar conta da cidade.”

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