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Carlinhos Brown

19/02/2001

“Sou o pivete que sobreviveu” - continuação

Leandro Pimentel

“Sofri preconceito duas vezes. Uma no Vaticano, onde barravam africanos, e...

Quais as principais lembranças da sua infância?
São positivas, porque foi num pomar com água límpida, que era o Candial. Muita música, gado e cavalo. Parecia o interior. Lavadeiras e cânticos que hoje não se ouvem mais. O melhor era o som de latas quando começou a mudança dos barris para as latas de querosene. O batuque das pessoas carregando as latas para as casas era incrível. Sempre comi bem, por mais que eu tenha passado fome. Quando tinha comida, era saborosa. Carne de sol com pirão de água quente e café. Aquilo era delicioso, é de extrema sofisticação. As coisas ruins eu extingui. Carlinhos Brown definitivamente não é dor. É prazer, felicidade.

Quantos óculos escuros você tem?
Não são só escuros, tenho de todas as cores, mas não sei. Cada show quebra um e tem fã que leva. Não escondo nada atrás deles, acho que os óculos são um vestir, como um sapato. Num país tropical acaba me protegendo.

É assediado pelas mulheres?
As meninas chegam perto de mim para conversar, não é assédio. Fui criado num matriarcado, como um pequeno buda. Fui tratado no dengo. Criado por sambistas, candoblezistas, protestantes, umbandistas, mas tudo com trato especial das mulheres. Isso me fez ter um enorme respeito por elas. Só trabalho com mulheres, compreendo mais as mulheres.

Com que idade foi a primeira namorada?
Demorei um pouquinho, com uns 15 ou 16 anos. O coração fazia tuc-tuc-tuc. Era isso que eu gostava que a namorada despertasse e várias despertaram. Tinha muita facilidade para chegar nas meninas, falava de música, mas eu queria a minha menina. Nunca gostei do assédio só porque tocava no sambão.

Sua primeira transa demorou também?
Foi com 16 anos. Aprendi muito. As pessoas da minha geração tiveram iniciação com prostitutas. Chamava tirar o cabresto. Não gostei muito porque sentia que era mais necessidade dela de sobrevivência do que amor. Não gosto de falar prostituta porque deprecia muito, acho que são auxiliares do sexo ou love makers (fazedoras de amor).

Então sexo só com amor?
É um amor que às vezes você sente por mais de uma pessoa. As pessoas não sabem como discernir isso, porque levam pelo tabu e acabam não se encontrando sexualmente. É uma fase entre o homem e a mulher em que deve haver assiduidade, você quer transar e às vezes é mal interpretado por isso. Elas são chamadas de galinhas. As meninas têm que dar mesmo, desde que dêem com segurança, com camisinha. E os homens estão aqui para cumprir sua parte e usar essa quinta perna.

Qual a origem do seu apelido?
Tenho um conceito próprio dele. T Rap Brown, que está preso por ter matado um policial, foi um dos líderes do movimento Black Power. Talvez ele seja o responsável. Seria mais fácil se fosse o James Brown porque é um pop star e o outro é um renegado, mas eu não renego nada.

Já sofreu algum preconceito?
Duas vezes. Foram preconceitos religiosos. Fui ao Vaticano e queria ver a Pietà. Estava com um amigo da Bahia e não deixaram a gente ver, estavam barrando os africanos porque tinha turistas de outra parte da Europa. A segunda foi com Lelê em Israel. Quando eu abracei a minha amada na fila da entrada de um templo, um bizantino pediu para eu sair e ir embora do lugar. Eu disse: “Não! Cristo is freedom (é liberdade)!” Isso o calou e fez com que ele fosse embora.

Leandro Pimentel

... outra em Israel, com Lelê (sua mulher), num templo. Gritei: ‘Cristo is freedom’”

E com o seu filho Francisco?
Uma vez saiu num jornal de Santa Catarina que eu estava empretecendo a família de Chico Buarque, dando a eles um neto de nariz achatado. Os avós não gostaram. Encaro isso como os desafios que tenho de enfrentar no meu País. Devolvo com boa educação, tratando do meu bairro, do País.

O que Chico Buarque acha das suas versões das músicas dele?
Adora, porque a versão dele de “João e Maria” era ternária e eu fiz quaternária. Transformei uma valsa em xote. Ele se diverte.

Você diz que é semi-analfabeto. De onde vem a sua cultura?
A minha cultura é oral, do viver, do dia-a-dia. Conheço gente bacana. Falo com todo mundo, que é uma coisa que o vendedor de picolé me trouxe. Não falo isso por demérito, falo para as pessoas verem que têm chance na vida. Hoje, sou bem vindo em todas as classes sociais.

Por que você não gosta de falar da sua família?
Se eu fosse falar de Lelê teria de falar de todas as mulheres da minha vida. Ela é uma pessoa que me entende como artista e homem, me dá liberdade e acho que ainda vai durar por long time (muito tempo). Um dia ainda vou escrever uma biografia, tenho muito a revelar sobre a minha vida.

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