|
Minissérie
Os
Maias
Superprodução da Rede Globo deve ser
mais um Titanic para a emissora
Paula
Alzugaray
| Divulgação |
 |
|
Ana Paula Arósio, no papel de Maria Eduarda: só na segunda parte |
É
comum entre as novelas e minisséries brasileiras apresentar
na estréia uma generosidade no tratamento visual e um tempo
de narrativa que apresentam diferenças no decorrer da trama.
A introdução procura sempre munir o espectador com
o encanto necessário para o bom desfrute da história.
A nova minissérie Os Maias (Rede Globo, terça
a sexta, 22h), inspirada na obra do escritor português Eça
de Queirós, não poderia fugir à regra.
Mas
a julgar pelo orçamento de R$ 11 milhões e pelo calibre
do time escalado, o capricho da realização não
deve se restringir à semana de estréia. Imprimindo
ao vídeo uma qualidade cinematográfica com
direito a contemplativos passeios de câmera que dão
tempo para o espectador saborear os requintes do texto, da música
e da fotografia , a estréia de Os Maias soou
como uma orquestra afinada, à altura da obra adaptada. Afinal,
trata-se, nada menos, de um dos textos mais importantes da literatura
portuguesa, que inaugurou a era moderna naquele país.
A
ambiciosa tarefa de manter o tom desta sofisticada sinfonia
popularizando-a para o telespectador brasileiro e o equilíbrio
perfeito entre seus 52 (!) personagens, ao longo de 44 capítulos,
será conduzida pelo diretor Luiz Fernando Carvalho (O
Rei do Gado) e pela escritora Maria Adelaide Amaral (A Muralha).
Na
terça feira 9, o primeiro capítulo descortinou uma
rica galeria de tipos que conviveram e se debateram
na Lisboa do fim do século 19. Afonso da Maia (Walmor Chagas),
o patriarca da família, é o representante de uma geração
racionalista e avessa aos valores religiosos. Seu filho único,
Pedro da Maia (Leonardo Vieira), criado embaixo da saia da
mãe e da batina do padre, é sua antítese.
Demonstra o temperamento taciturno e melancólico próprio
dos românticos da época.
O fervoroso
embate ideológico entre Realismo e Romantismo se reproduz
com eficiência no diálogo entre o patriarca e seu grupo:
A melhor devoção para um rapaz é um ideal
revolucionário, diz um. Essa é uma geração
sem fibra e a culpa é da religião, rebate Afonso
da Maia. Faltam a essa mocidade touros, duelos, espanholas,
acrescenta outro.
Com
passado obscuro e fama de enriquecer com o tráfico de escravos
da África para o Brasil, a família de Maria Monforte
(Simone Spoladore) é marginalizada pela sociedade lisboeta
de 1850. A história de Os Maias começa, então,
com a escandalosa paixão entre o aristocrata Pedro da Maia
e a negreira Maria Monforte, que desafia moral, tabus
e bons costumes. E abre caminho para o melodrama central: o romance
entre Carlos da Maia (Fábio Assunção) e Maria
Eduarda (Ana Paula Arósio), que apaixonam-se sem saber que
são irmãos.
A
nova loira Ana Paula Arósio só entrará em cena
na segunda fase da minissérie. Mas mesmo sem a estrela de
Terra Nostra emprestar seu brilho à estréia de Os
Maias, a nova superprodução da Rede Globo tem
tudo para ser mais um Titanic recorde de bilheteria de todos
os tempos da emissora. Orquestra afinada
|