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Muhammad
Ali – O Rei do Mundo
Jornalista americano faz relato
emocionante sobre a vida do lutador
Francisco
Viana
| AP |
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| Ali:
golpes no ringue e no preconceito racial |
Sua
carreira ele construiu com golpes ousados. No ringue, dançava
na frente do adversário, batia com velocidade e força
superior à de um taco de beisebol. Na vida pública,
tornou-se um modelo para geração dos anos 60, rompendo
com o controle da máfia sobre o boxe e afrontando o racismo
americano.
Assim,
Cassius Clay, posteriormente rebatizado com o nome de Muhammad Ali,
tornou-se o rei do mundo, como ele gostava de se autoproclamar,
aos gritos, subindo nas cordas, rindo, e apontando para os cronistas
esportivos. O lutador superou em fama e popularidade ícones
do calibre de John Kennedy e John Lennon, Elvis Presley e Bob Dylan.
Muhammad
Ali O Rei do Mundo (Cia. das Letras, 360 págs.,
R$ 32) livro do jornalista David Remnick, editor da revista New
Yorker, é mais do que um relato vibrante da ascensão
desse invulgar herói americano. Quatro vezes campeão
mundial de pesos-pesados e ainda hoje reverenciado, Ali só
foi batido pelo imponderável o mal de Parkinson.
Na
essência, é uma metáfora de como um ídolo
do esporte mostrou que podia existir um novo tipo de negro, capaz
de flutuar acima dos estereótipos de uma sociedade vincada
pelo preconceito e, também, ser um cidadão universal,
engajado na construção de uma sociedade igualitária.
O
relato das lutas contra Sonny Liston e Floyd Patterson, campeões
mitológicos que ele surrou, é metáfora perfeita
desse duelo vitorioso entre dois mundos antagônicos e escravizantes.
O primeiro,
o colossal Liston, que ele venceu aos 22 anos, era conhecido como
o negro mau, ex-presidiário, intimamente ligado ao crime
organizado, beberrão e violento. O segundo fazia o papel
de dublê do Pai Tomás, o negro-branco ou o branco
honorário, de comportamento inatacável, um
arquétipo do pobre-diabo, um príncipe empobrecido,
na ácida definição de Norman Mailer. Ao
derrotar os dois ele realizou um sonho: sagrou-se campeão
do mundo, o que ambicionava desde os 12 anos de idade.
A
luta com George Foreman, em 1974 no Zaire, talvez o maior desafio
da vida de Ali, foi diferente. O rei do mundo estava
em conflito aberto com os conservadores americanos pelo seu engajamento
visceral com a Nação do Islã e pela obstinação
com que apregoava não ter rixa com os vietcongues.
Também, foi a época em que a doença que o afastaria
do boxe passou a se insinuar e a aterrorizá-lo.
Essa
é a grande, e inexplicável, lacuna da obra, mas que
não chega a torná-la menos saborosa nem menos densa.
Apenas deixa o leitor com uma certa frustração porque
desde as primeiras linhas fica a impressão de se tratar de
uma obra definitiva, a refletir no espelho da atualidade o belo,
narcísico e revolucionário Ali Muhammad na completa
dimensão da sua exuberância. Peso-pesado na vida
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