|

Cavalgada
com o Diabo
Ang Lee dá sua versão sobre a Guerra Civil
Americana
Alessandro Giannini
| Divulgação |
|
|
| Skeet
Ulrich, Tobey Maguire e Jeffrey Wright: a Guerra de Secessão
na visão dos “rebeldes” |
Nascido
e criado em Taiwan, o diretor Ang Lee mudou-se para os Estados Unidos
em 1978. Desde que terminou a trilogia sobre o núcleo familiar
e o pátrio poder reinantes em seu país, Lee se voltou
exclusivamente para a sociedade anglo-saxônica, retratando
o período romântico (Razão e Sensibilidade)
e os anos da liberação sexual (Tempestade no Gelo).
Em Cavalgada com o Diabo, cartaz nacional a partir de sexta-feira
12, ele enfoca a Guerra Civil, que dividiu o país em uma
luta sangrenta no século 19.
Como
os outros filmes americanos de Lee, Cavalgada com
o Diabo também foi adaptado de um livro, o romance histórico
Woe to Live On, de Daniel Woodrell. O diretor adota o ponto
de vista de personagens do livro, jovens sulistas para quem a guerra
não tem sentido. Embora não façam parte do
exército confederado do sul, eles formam milícias
e combatem os ianques do norte numa espécie de guerrilha.
São os chamados rebeldes.
No
coração dos Estados Unidos, na fronteira que divide
o norte progressista liberal e o sul retrógrado e escravocrata,
o filho de um imigrante alemão (Tobey Maguire) e o rico herdeiro
de um grande proprietário de terras (Skeet Ulrich) se envolvem
na luta depois que suas famílias são atacadas covardemente.
Hábeis atiradores, eles se juntam aos rebeldes e passam a
fazer emboscadas visando os soldados da União.
Junto
com a milícia da qual fazem parte, viaja um ex-escravo (Jeffrey
Wright) que acompanha o latifundiário. Esse homem, para quem
a guerra também não tem sentido, acaba dividindo o
grupo formado inclusive por bandidos e saqueadores. Refugiados
na fazenda de um amigo, os três amigos tentam reconstruir
suas vidas e abandonar o passado.
Em
Cavalgada com o Diabo, a tese do olhar estrangeiro,
distanciado e original, não tem ressonância. Se é
que Lee tem algum mérito como diretor nesse caso, foi o fato
de não pintar a guerra que dividiu o país com meias
tintas. Outro filme de 1999 do diretor, O Tigre e O Dragão,
concorre a três prêmios do Globo de Ouro. Guerra
Civil nua e crua
|