|

Por
onde anda
O
ídolo dos boys volta aos palcos
Sucesso nos anos 80, com as músicas “Sou Boy” e “Tic Tic Nervoso”,
Kid Vinil grava seu primeiro CD
Edwin
Paladino
| Beto
Tchernobilsky |
 |
| Mesmo
sem conhecê-lo, o cantor Zeca Baleiro homenageou o vocalista
da banda Magazine |
O visual
extravagante, de camisas de cores cítricas e calças
quadriculadas new wave dos anos 80, deu a lugar aos bermudões
dos skatistas do final dos anos 90. Mas o cultivado cavanhaque ruivo
e os óculos pequenos ainda são a marca do cantor Kid
Vinil.
Aos
45 anos, ele decidiu remontar a banda Magazine, que, há 15
anos, chegava às paradas de sucesso e aos programas de auditório
cantando Sou Boy e Tic Tic Nervoso. A reestréia
aconteceu em novembro, em São Paulo.
Na
platéia, não só nostálgicos reforçavam
o coro dos hits antigos, mas adolescentes demonstravam saber as
letras de cor. Depois do show, a molecada dizia que éramos
uma banda de rocknroll honesto, verdadeiro, comemora
Kid. O resultado poderá ser conferido no novo CD do Magazine,
que será lançado neste ano.
Fora
das paradas desde 1985, Kid passou os últimos quinze anos
em projetos menores como a banda Heróis do Brasil e o Som
Pop, extinto programa de videoclipes da TV Cultura, do qual
era apresentador. Só fiz trabalhos sem grande divulgação,
diz ele. Hoje, Kid trabalha como gerente artístico internacional
na gravadora Trama e, há um ano, apresenta o programa Lado
B, na MTV, dedicado a bandas alternativas.
Sou
Boy, um dos maiores sucessos do grupo, foi lançado
em um compacto de 1983. Explodiu nas rádios e projetou a
figura de Kid na tevê. A letra da canção foi
escrita por Aguinaldo, um office-boy que trabalhava na gravadora
Continental, onde Kid era produtor musical.
O
garoto passeava pelos corredores da empresa cantarolando a melodia.
Fizemos ele gravar uma fita com a letra inteira, lembra
o cantor. Ele garante que o garoto recebeu o dinheiro dos direitos
autorais. Não roubamos a letra de ninguém,
diz o músico. Ele até assistia nossos shows
na época, conta Ayrton Mugnaini, baixista do grupo.
Desde
menino, Antônio Carlos Senefonte, o Kid Vinil, é apaixonado
por música. Ele passava as tardes em sua casa em Cebral,
no interior de São Paulo, ouvindo Beatles e Rolling Stones,
no final dos anos 60. Ele me mostrava os discos dos grupos
ingleses com o som nas alturas, lembra Valdecir Senefonte,
o irmão. Em 1977, conheceu o som do grupo britânico
The Clash e resolveu montar a primeira banda, a Verminose. As
gravadoras torciam o nariz para o nome, lembra Kid.
Depois
de três anos tocando nos porões da capital paulista,
o Verminose virou Magazine. E passou a se apresentar em programas
de tevê e de rádio. Magazine tinha a ver com
o frescor da new wave que era a moda da época, explica
o vocalista. Kid era o loucão da banda, conta
o guitarrista Fábio Gasparini. Apesar de ser o mais extravagante,
jura que não tomava drogas. Ele não se drogava
e nem bebia, assegura Ayrton.
O apelido
é conseqüência da paixão pela música.
Em 1979, ele foi convidado por uma rádio para apresentar
um programa de música pop alternativa. O nome Antônio
Carlos não era aconselhável para a ocasião,
brinca. A saída foi Kid Vinil. Tinha uma vasta coleção
de bolachões, acrescenta. O nome virou marca e a coleção
se modernizou: nas prateleiras de seu apartamento, hoje, estão
mais de 5 mil CDs. Compro mais de cem por mês,
revela.
A
popularidade e o jeito alegre lhe renderam uma homenagem. No primeiro
CD do cantor maranhense Zeca Baleiro, Por Onde Andará
Sthephen Fry?, há uma canção dedicada ao
músico. Kid Vinil, quando é que tu vai gravar
um CD?, diz a letra. Não conhecia o Kid, mas
achei divertido brincar com o nome dele, explica Zeca. Kid
adorou o presente.
O agradecimento
foi em 1997, num show onde os dois se cruzaram, mas a homenagem
só veio agora. Como resposta, escreveu com o Magazine a música:
Zeca, quando é que você vai gravar um LP?.
Zeca tem a resposta pronta. Adoraria gravar um LP com ele,
mas as gravadoras não fabricam mais os bolachões de
vinil.
|