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Tragédia
O
horror dos fogos
O mecânico José Maria Martins queria se mudar para o Rio este ano,
mas morreu após ser atingido por fogos de artifício no réveillon
de Copacabana
Luís
Edmundo Araújo
| Reprodução |
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| Martins
com os sobrinhos Ivania dos Santos, de oito meses, e Rivaldo
dos Santos, de quatro anos |
Procurar
um apartamento para fixar residência no Rio de Janeiro era
o principal desafio do mecânico paulistano José Maria
Martins, 44 anos, para o ano de 2001. Nele, pretendia se instalar
com a namorada, a também paulistana Cláudia Maria
da Silva, 19. Morar na Cidade Maravilhosa era um sonho antigo, que
acabou na noite do dia 31. José Maria era uma das 2,5 milhões
de pessoas que foram esperar a chegada do novo milênio na
Avenida Atlântica, na Praia de Copacabana.
Para
o mecânico, porém, o tradicional show pirotécnico
deu um ponto final em sua vida. Às 18h do dia 1º, ele
morreu no Hospital Miguel Couto, no Leblon. Não resistiu
aos ferimentos na traquéia e na laringe, provocados pela
explosão de um tubo com fogos de artifício a apenas
dois metros de altura do solo, que atingiu outras 39 pessoas no
Posto 3.
Era
o quarto ano seguido que José Maria passava o réveillon
no Rio. Nas viagens constantes que fazia à cidade, a trabalho
além de mecânico, ele também comprava
e vendia carros , costumava se hospedar na casa do porteiro
José Lino Macedo, 30 anos, cunhado de sua segunda mulher,
Conceição.
O casamento
acabou há um ano e Conceição mora hoje no Piauí,
mas a amizade com a família perdurou. Ele era da família.
O Zé Maria salvou meu filho, protegendo-o com seu próprio
corpo na hora da explosão, diz José Lino, pai
de Rivaldo, de 4 anos, que fora assistir à queima de fogos
com o tio.
| Alexandre
Brum/Ag. O Dia |
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| Momentos
depois do ferimento na traquéia e na laringe por fogos de artifício |
NAMORADA
FERIDA
No acidente, o garoto sofreu queimaduras no braço e na perna
esquerdos e passa bem. Só ficou o trauma. Ele tem acordado
gritando, com medo dos fogos, afirma a mãe do menino,
Maria Yvone Motta. A namorada de José Maria, Cláudia,
que também o acompanhava, teve queimaduras no rosto e foi
atingida na perna esquerda por estilhaços dos fogos. Ela
ainda está internada no Miguel Couto, e passa bem.
De
acordo com a mãe de Cláudia, Maria Nascimento de Jesus,
sua filha tinha recebido um convite de José Maria para sair
de São Paulo, onde mora, e se juntar a ele no Rio. Ele
já tinha falado em alugar um apartamento em Bonsucesso (zona
norte do Rio) para morar com minha filha, conta Maria.
Antes
de ser vendedor de carros, José Maria chegou a ser dono do
Forró Zé Maria, em Vila Moraes, na Saúde, Grande
São Paulo. Ele chegara ao Rio um mês antes do réveillon
para fazer pequenos negócios e esperar pela namorada, que
desembarcou na cidade no dia 30, especialmente para assistir à
queima de fogos, pela primeira vez. Ela nem viu nada, e acho
que nunca mais vai querer ver, diz Maria.
| Beth
Santos |
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| José
Lino, seu amigo mais próximo: “Ele salvou meu filho" |
O
mecânico paulistano era pai de três filhos com sua primeira
mulher, Maria Laudicéia da Silva Martins, 44. Magda, 22,
e Émerson, 18, ficaram em São Paulo, mas Hugo Itamar,
16, acompanhou a mãe ao Rio para tratar do traslado do corpo
do pai até São Paulo.
José
Maria foi sepultado quarta-feira 3, no cemitério de Vila
Formosa, na capital paulistana. Logo que foi atingido pelos fogos,
José Maria teve forças para permanecer em pé,
segurando Rivaldo pela mão, e telefonar de um telefone público
para José Lino, pedindo ajuda.
Uma
hora depois, a irmã de José Lino, Rita de Cássia
Macedo, 32, e uma prima do porteiro, Marilene Calixto, encontraram
o mecânico andando, atordoado. Ele estava tremendo,
quase sem poder andar, mas não soltava a mão do Rivaldo,
conta Cássia. Naquele momento, sua namorada já fora
levada por uma ambulância. José Maria só chegou
ao hospital às 4h. Mesmo operado, não resistiu.
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