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Futebol
ADHEMAR
Um
vencedor no meio da briga
Craque do São Caetano ganha 1,25% do salário de Romário e é o artilheiro
da tumultuada Copa João Havelange
Cesar
Guerrero
| Eduardo
Knapp/Folha Imagem |
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| Adhemar
comemora seus gols exibindo camisetas com frases cristãs |
Pela
primeira na história do futebol brasileiro, o País
da chuteira terminou o ano sem um campeão nacional. Uma briga
nas arquibancadas do estádio de São Januário,
no Rio de janeiro, no sábado 30, provocou a interrupção
da decisão da Copa João Havelange. Mas não
ofuscou o brilho da estrela do campeonato: Adhemar Ferreira de Camargo,
28 anos.
O
centroavante do São Caetano provou que talento não
se mede em reais. Mesmo ganhando 1, 25% do salário mensal
do ídolo do Vasco, Romário, que beira a casa dos R$
400 mil, Adhemar é o artilheiro da Copa. Fez 22 gols na competição,
enquanto o vascaíno marcou 19. Quando Romário
deixou o campo contundido eu vi que ninguém mais poderia
me alcançar, confessa Adhemar.
O
craque do time paulista foi um dos que ficaram estarrecidos com
o que presenciaram no dia do jogo: Parecia uma avalanche de
gente, diz. E era. A briga na arquibancada e a lotação
do estádio produziram 159 feridos. A decisão
foi correta. Se o juiz marcasse um pênalti contra o Vasco,
ninguém seguraria aquela torcida, diz Adhemar.
A interrupção
da partida, decida pelo governador Anthony Garotinho, também
acabou com os planos do craque de Tatuí, interior de São
Paulo. Adhemar queria no final do jogo trocar sua camisa com o concorrente
do Vasco. Sempre admirei as jogadas do Romário.
| Otávio
Magalhães/AE |
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| A
arquibancada do estádio do Vasco em São Januário depois da quebra
do alambrado |
Adhemar
não guarda na memória as rivalidades comuns à
profissão. Mesmo porque o craque é evangélico
e segue à risca as doutrinas religiosas da Igreja Apostólica
de São Caetano. Vou à igreja todas as semanas
e procuro nunca ter inimigos.
O salário
de R$ 5 mil por mês lhe garantiu a escritura de um apartamento
de três dormitórios em São Caetano do Sul, na
região da Grande São Paulo, onde mora. E ainda uma
casa em Porto Feliz, interior do Estado, local onde passa os dias
de folga com a esposa Aline, 24 anos e os dois filhos Ayeska, 5,
e Kaynan, 3. Gosto da tranqüilidade das cidades pequenas,
diz.
Apesar
de ter contrato assinado até 2001 com o clube, já
tem propostas de times brasileiros, como o São Paulo, e do
Exterior, como o Monterrey, do México. Vou definir
o meu futuro clube nos próximos dias, garante Adhemar.
Sua conta-corrente agradece.
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