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Música
Vinny
sem amarras e com a língua afiada
O cantor, que foi abandonado pelo pai na infância e morou
num cortiço até os 24 anos, lança novo disco e faz críticas ferozes
ao culto às celebridades
Luís
Edmundo Araújo
| Leandro
Pimentel |
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| Vinny:
"Fuck the Fashion" |
Ele
apareceu fazendo todo mundo mexer a cadeira, chegou a compor uma
música para a Tiazinha em 15 minutos e agora volta para mostrar
que não é apenas o cara da festa, como
passou a ser conhecido depois que o hit Heloísa Mexe
a Cadeira estourou nas pistas de dança, em 1997.
Aos
34 anos, Vinny acaba de lançar um novo disco, Quando o
Tempo Pára, e cria polêmica ao falar do assalto
ao ônibus 174, tragédia ocorrida em junho no Rio, e
criticar o culto às celebridades.
Em
Fuck the Fashion (foda-se a moda), Vinny cita de Madonna
a Paulo Zulu, passando por Gisele Bündchen, para repreender
quem faz tudo para aparecer e entrar na moda. A música
fala desse querer sair na foto de qualquer maneira. Hoje em dia
fulana tá na moda porque namora o Luciano Szafir e as pessoas
consomem, o que é pior, diz Vinny.
Nem
o craque Ronaldinho escapa da verve afiada do cantor: Ronaldinho,
se eu fosse como tu, tirava a mão do bolso e botava o pé
na bola, escreveu em outra composição.
Fora
dos palcos, Vinícius Conrado Bonotto leva uma vida tranqüila.
Prefere ficar em casa com a mulher, a cantora Karina, 30, e o filho
Luca, de sete meses. Só costumo sair para assistir
a algum show. O
apego à família vem da infância difícil,
quando dividia com a mãe e as duas irmãs mais velhas
uma vaga num cortiço. O pai os deixou quando Vinny tinha
oito anos.
"Nunca
mais vi o cidadão, não sei nem quem é. Se eu
passar por ele na rua, nem reconheço, diz ele, que
ainda tenta entender a atitude do pai. Pensei
muito mais nele depois que tive o meu filho. Vejo o amor que sinto
pelo Luca e não consigo entender o que pode fazer um pai
sair de casa, diz o compositor.
Vinny
começou a trabalhar aos 13 anos, como empacotador de supermercado,
mas conseguiu estudar. A gente era muito pobre mesmo. Tínhamos
dificuldade até para comer, conta. Ele
morou no cortiço até os 24 anos. Aos 20, abandonou
a faculdade de Direito um ano antes de se formar e foi demitido
do cargo de advogado júnior da Bradesco Seguros. Também
viajou com amigos e uma namorada no Carnaval e só voltou
um mês depois. Foi lá que decidi largar tudo
pra ser músico.
O
início foi difícil. Ganhando R$ 50 por noite nos bares,
o cantor teve ajuda da família até conseguir o primeiro
contrato com uma gravadora, a BMG, quando liderava a banda de hard
rock Hay Kay. O que parecia o início do sonho, porém,
transformou-se em pesadelo.
Nosso
trabalho foi deturpado e o disco foi um fracasso total. Até
conseguir entrar para a Indie Records, em 1994, o cantor continuou
na batalha enviando fitas demo. As gravadoras não são
muito inteligentes. O parâmetro que elas têm para medir
se uma coisa vai dar certo é uma fórmula, e essa fórmula
não existe.
Dos
cinco CDs com a Indie, o de maior sucesso foi o terceiro, Na
Gandaia, que vendeu cerca de 160 mil cópias a reboque
do sucesso de Heloísa Mexe a Cadeira. Nunca
vou ser um campeão de vendas. Não faço caras
e bocas para vender um milhão de cópias.
A
expectativa do diretor-presidente da Indie Records, Liber Gadelha,
é de que o novo disco de Vinny se mantenha no patamar das
cem mil cópias vendidas. O Vinny é camaleônico
e, sobretudo, um bom músico. Ele transita bem tanto pelo
pop quanto pelo rocknroll, elogia.
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