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Negócios
UEZE
ELIAS ZAHRAN
Mecenas do Pantanal
O dono da Copagaz não atende políticos, recusa propostas para vender
sua empresa e investe em documentários, que contam a história de
Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
Cesar
Guerrero
| Silvana
Garzaro |
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| O
empresário: sonho realizado |
Na
quinta-feira 16 de novembro, a embaixada brasileira em Paris organizou
uma noite de gala para 70 convidados. Entre canapés e taças
com champanhe, a atração principal foi a exibição,
em primeira mão, do documentário Tempo de Rondon.
O filme,
bem recebido pelo público presente e elogiado pela crítica,
traz imagens de época e depoimentos exclusivos de antropólogos,
familiares e do próprio marechal Cândido Rondon, morto
em 1958.
Mas,
ao contrário do usual, o mecenas do projeto ficou bem distante
da badalação e não se trata de ninguém
que transite pelo universo cinematográfico.
Trata-se
de Ueze Elias Zahran, 76 anos, um empresário brasileiro que
preferiu ficar no Brasil cuidando de uma de suas empresas, a Copagaz,
que distribui gás liqüefeito de petróleo (GLP).
O
filme é um sonho antigo que se realizou, diz. Mas
eu não posso largar a empresa que viabilizou este sonho.
Zahran
gosta de ter o controle de tudo ao seu redor. Nada acontece na Copagaz
sem que ele saiba. Mas ele nega o rótulo de centralizador.
Se não delegasse as tarefas não teria chegado
até aqui, justifica. No ano passado, a empresa atingiu
a receita de US$ 244,3 milhões e obteve um crescimento de
42,6% nas vendas.
O
numerário atraiu o interesse de diversas empresas multinacionais
dispostas a fazer investimentos em troca do controle da empresa.
Mas eu não quero vender, assegura Zahran. Eu
vi a Copagaz surgir do nada. Hoje ela está presente em 19
Estados, diz.
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Álbum
de família
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Zahran, durante a construção de sua primeira estação de engarrafamento
de botijões de GLP |
HISTÓRIA
NA TELA Possui ainda outras empresas como a Rede Matogrossense
de Televisão, com sete emissoras que transmitem o sinal da
Rede Globo, três transportadoras, um haras para criação
de cavalos árabes e a VCA, a produtora responsável
por Tempo de Rondon.
O
documentário sobre o Marechal é a primeira parte do
projeto Documenta que prevê a produção de 11
filmes, cada um deles orçado em cerca de R$ 250 mil, sobre
temas ligados aos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Queremos
resgatar aspectos históricos, geográficos e culturais
da região, explica Zahran.
Por
conta dos dias atribulados que tem e de seu perfil reservado, o
empresário gasta pouco de seu tempo com política nacional.
Em mais de uma ocasião, seus funcionários o viram
negar-se a atender telefonemas de personalidades importantes da
política brasileira, como fez com Rodolpho Tourinho Neto,
ministro de Minas e Energia, que o procurou por telefone. A
política não me atrai nem um pouco, diz. Sou
muito ocupado.
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Álbum
de família
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E num raro momento de descanso ao lado da esposa Lucila, com
quem vive há 45 anos |
Zahran
é filho de imigrantes libaneses que, em 1920, abriram um
bar no centro de Campo Grande. Aos 18 anos, ele viajava de caminhão
para buscar farinha de trigo na Argentina, onde o preço do
produto era melhor.
Com
o sucesso nos negócios, decidiu presentear sua mãe,
Laila, com um fogão moderno. Descobri que não
havia distribuidora de gás na região, contaZahran.
E vi uma oportunidade de negócios.
Assim,
ele conseguiu a representação de uma empresa paulista
de gás para revender em Campo Grande. Em 1961, estava pronto
para abrir sua primeira engarrafadora de GLP, em São Paulo.
Durante quatro meses, visitou o Rio de Janeiro semanalmente para
obter a licença de funcionamento no Conselho Nacional do
Petróleo.
Cansado
de esperar a burocracia, colocou a empresa em operação,
mesmo sem autorização do governo. Não
podia mais ficar parado, justifica-se. O órgão
federal concedeu a licença semanas depois.
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Álbum
de família
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O caminhão que utilizava para transportar gás entre Estados
de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, em 1955 |
Além
das empresas que hoje administra, ele ainda mantém a Fundação
Ueze Zahran, que desenvolve cinco projetos sociais voltados para
a educação de menores carentes. São investimentos
da ordem de R$ 1,4 milhão.
As
iniciativas são reconhecidas até pelo governo de Mato
Grosso do Sul. Ele é um dos nossos grandes parceiros
na área social, diz o governador José Orcírio
dos Santos, o Zeca do PT. Depois de conhecer a fundo seu trabalho
em favor dos menores acabamos nos tornando amigos, confessa
o governador.
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