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Polêmica
SEBASTIÃO
ROCHA
De
olho no silicone
Senador tenta regulamentar as aplicações de próteses de silicone
e causa mal-estar entre médicos, pacientes e fabricantes do produto
Cecília
Maia
| Felipe
Barra |
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| O
senador Sebastião Rocha: saia justa |
As
mudanças são mínimas, mas o fato de o Congresso
Nacional regulamentar a aplicação da prótese
de silicone está provocando uma polêmica no Senado
Federal.
O
projeto, já aprovado pela Câmara, obriga os médicos
a alertarem os pacientes sobre os malefícios do uso do produto
e exige a assinatura de um termo de compromisso da aspirante a seios
exuberantes.
Foi
o suficiente para que vítimas do silicone e a Sociedade Brasileira
de Cirurgiões Plásticos, SBCP, se revezassem nas pressões
sobre os parlamentares.
No
centro do fogo cruzado está o senador Sebastião Rocha
(PDT-AP), relator da proposta na Comissão de Assuntos Sociais,
onde o projeto está sendo apreciado.
Os
cirurgiões dizem que estou do lado das vítimas e as
vítimas me acusam de estar beneficiando os fabricantes,
diz ele, que defende o implante para a própria mulher, Enain,
se um dia ela quiser fazer. Não faço objeção,
desde que esteja bem informada.
A prática
de informar às pacientes já é seguida por todos
os cirurgiões pertencentes à SBCP. O termo de compromisso
para uma defesa na Justiça em caso de complicação
também é utilizado. Não é o cirurgião
que tem que responder pela ruptura do produto, argumenta o
ex-presidente da SBCP regional do Rio de Janeiro, Sérgio
Levi. O
senador Sebastião Rocha contra-ataca: Estamos determinando
que a Secretaria de Vigilância Sanitária venda o produto
com bula, o que hoje não acontece.
| Felipe
Goifman |
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Bárbara
Ferreira: “Eu sou um exemplo dos malefícios do silicone’’
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Existem
dois tipos de próteses. A mais antiga custa US$ 200 e traz
um conteúdo líquido envolvido por uma membrana que,
em 20% dos casos, se rompem. A segunda, mais resistente, custa US$
700 e é formada por um gel espesso coberto por uma membrana
texturizada que se rompe em apenas 1% das implantações.
Estudos
comprovam que o silicone não provoca câncer. Em caso
de rompimento ele aumenta o índice em pessoas que já
tem tendência, diz Sérgio Levi, confirmando a
necessidade de exames prévios.
A
carioca Bárbara Ferreira, 53 anos, vítima do silicone,
contesta. Ela acusa o senador de estar fazendo o jogo dos fabricantes
quando cita um estudo americano feito no ano passado, que não
comprova casos de câncer decorrentes do implante das próteses.
Eu sou um exemplo desses malefícios, diz ela.
Bárbara
implantou silicone nos seios há 23 anos, devido a um tumor.
Poucas semanas depois começou a sentir dores do peito e nas
costas. Acabou por desenvolver lupus eritematoso, doença
que pode provocar reumatismo e cegueira. O senador e os cirurgiões
não dizem que o estudo do FDA Food and Drug Administration,
afirma que 69% das próteses mamárias americanas se
romperam, ataca o filho Humberto Ferreira, que tem peregrinado
pelo País em defesa da proibição do implante.
O uso do silicone líquido, usado até há pouco
tempo para amenizar as rugas faciais, fica proibido pelo projeto.
Em seu lugar está liberado o botox. A senadora Emília
Fernandes (PDT-RS), que exibe beleza pelos corredores do plenário
depois de uma plástica no nariz, defende o projeto. Acho
que o projeto está correto quando exige que as pacientes
estejam muito bem esclarecidas sobre o assunto, afirma.
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