|

Revelação
Da
igreja para as telas
Filho de um caminhoneiro e de uma costureira, o ator cearense Gero
Camilo troca o seminário pela arte e é premiado por atuação em Bicho
de 7 Cabeças
Alessandro
Giannini
| David
Helman |
 |
| Gero
estará em Abril Despedaçado, de Walter Salles |
Sempre
que se lembra do prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival
de Brasília, os olhos de Gero Camilo, 29 anos, se enchem
de água. Durante o evento, este cearense radicado em São
Paulo levantou por duas vezes a platéia do cine Brasília
com sua interpretação do louco Ceará no filme
Bicho de 7 Cabeças, de Laís Bodanzky. O
momento mais emocionante, na opinião dele, foi quando recebeu
o troféu. Eu fiquei mudo, não conseguia agradecer,
disse.
Antes
de se tornar ator e adotar o nome artístico, o plano de Paulo
Rogério da Silva era entrar para o seminário e ordenar-se
padre.
Filho
de um caminhoneiro e de uma costureira, terceiro de quatro irmãos,
o militante católico vinha a São Paulo pelo menos
uma vez por ano para acompanhar cursos da Igreja. Mas
a atração pelo palco falou mais alto. Percebi
que na arte tenho espaço para exercer a minha espiritualidade,
conta.
Foi
atuando nos palcos paulistanos que Gero chamou a atenção
de Laís Bodanzky e Luís Bolognesi, diretora e roteirista,
respectivamente, do premiado Bicho de 7 Cabeças. Bolognesi
escreveu o personagem do louco apostando na capacidade de improvisação
do ator.
Ele
construiu o Ceará, deu uma identidade a ele, afirma
o roteirista. Contribuiu muito para o sucesso do filme.
O sucesso no Festival de Brasília valeu a Gero convites para
outras produções. No próximo ano, ele estará
em Abril Despedaçado, de Walter Salles, e deverá filmar
com Eliane Caffé ou Hector Babenco.
|