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Carreira
Sabe
a última do Caetano?
O compositor cria um site na internet para divulgar Noites do
Norte, no qual critica a imprensa e derrama elogios a Sandy,
Ivete Sangalo e Nação Zumbi
Silvia
Ruiz
| André
Teixeira/Agência O Globo |
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Com
um olhar voltado para o passado e outro para o futuro, o compositor
Caetano Veloso lançou na segunda-feira 11 Noites do Norte
(Universal), 36º disco da carreira e o primeiro a ser integralmente
divulgado a partir da internet.
Noites
do Norte tem como sua maior fonte de inspiração
o livro Minha Formação, memórias do político
pernambucano Joaquim Nabuco, publicadas em 1900. Para lançá-lo,
o compositor baiano driblou a tradicional série de entrevistas
e construiu o site www.caetanoveloso.com.br,
no qual colocou as faixas do novo CD e tratou de criar polêmica
com assuntos atuais.
Estou
convencido de que a música comercial é de melhor qualidade
do que a imprensa comercial brasileira, diz na longa entrevista
em seu site, concedida ao jornalista Geneton Moraes Neto.
Não
foi uma entrevista encomendada. Perguntei o que quis, diz
Geneton. Entrevisto Caetano desde o início de minha
carreira e, quando fui convidado por ele, já estava pleiteando
uma entrevista para a GloboNews.
Com
sua aparição virtual, Caetano subverteu a ordem dos
lançamentos do mercado fonográfico. Declarou sentir-se
mal com o tratamento dado pela imprensa aos lançamentos
de livros, discos e filmes. Acha que as resenhas são escritas
às pressas, sem cuidado, e publicadas sem o devido espaço.
O
tom de crítica e escontentamento com a imprensa está
presente em grande parte do material divulgado no site, onde sobram
elogios para artistas como Daniela Mercury, Sandy e Ivete Sangalo.
Eu peço, pelo menos, que o sujeito que escreve na Folha
ou o outro que escreve no Globo redijam a frase corretamente. É
o mínimo! Além das cantoras populares, Caetano
elogiou também o grupo pernambucano Nação Zumbi.
Achei a banda a melhor coisa do mundo.
As
críticas do compositor à imprensa não constituem
polêmica nova. Caetano sempre fez isso. No ano passado, por
exemplo, a jornalista carioca Hildegard Angel foi atacada por ele
em uma carta enviada ao jornal O Globo para contestar nota publicada
por ela sobre uma suposta briga entre o compositor e João
Gilberto. Também já comprou briga com o The New York
Times, após comentário do jornal sobre sarongue que
vestiu num evento em 1993.
Por
isso, talvez o ponto forte do novo trabalho de Caetano seja o seu
mergulho no passado, a redescoberta do Brasil do final do século
19. Fiquei apaixonado por um texto magnífico que começa
dizendo: A escravidão permanecerá por muito
tempo como a característica nacional do Brasil,
diz ele sobre techo do livro de Joaquim Nabuco, musicado no novo
disco.
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“Posso
mostrar a você que, numa gravação
da Sandy, a afinação é 100%!... A afinação
é em nível de Elis Regina! Mas posso pegar o
texto de muitos jornalistas e dizer: venha cá,
o que é que este parágrafo quer dizer?
É tudo errado, mal escrito’’ |
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“...Daniela
Mercury canta afinado, ensaia bem
os números; Ivete Sangalo arrebenta cantando;
Sandy é uma cantora perfeita, sob o
ponto de vista técnico’’ |
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“Eu,
pessoalmente, estou convencido de que a música comercial é de
melhor qualidade do
que a imprensa comercial brasileira’’ |
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“Digo:
comparada com o que vejo
nesses veículos, Daniela Mercury é
São Francisco de Assis’’ |
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| Frases
de Caetano extraídas da entrevista concedida ao site construído
para o lançamento de seu disco |
A
escravidão permanecerá por muito tempo
como a característica nacional do Brasil. Ela
espalhou por nossas vastas solidões uma
grande suavidade; seu contato foi a primeira
forma que recebeu a natureza virgem do País,
e foi a que ele guardou; ela povoou-o como se
fosse uma religião natural e viva, com os seus
mitos, suas legendas, seus encantamentos;
insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas
sem pesar, suas lágrimas sem amargor, seu
silêncio sem concentração, suas alegrias
sem
causa, sua felicidade sem dia seguinte... É ela
o suspiro indefinível que exalam ao luar as
nossas noites do norte
Trecho do livro Minha Formação,
publicado em 1900 por Joaquim Nabuco e musicado por Caetano
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do norte>>
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