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Drama
Dois
Perdidos Numa Noite Suja
Dirigido pelo pai, Alexandre Borges interpreta clássico de Plínio
Marcos
Mauro
Ferreira
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Divulgação |
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Alexandre Borges e José Moreira: convincentes |
Escrito
em 1966, um ano antes de Navalha na Carne, o texto de Dois
Perdidos numa Noite Suja é um dos mais virulentos da
dramaturgia corrosiva de Plínio Marcos.
A
correta remontagem da peça em cartaz no Rio, com Alexandre
Borges e o português José Moreira no elenco
atesta o caráter perene da obra do falecido Plínio,
sempre hábil na construção de diálogos
enxutos e precisos.
Se
o texto provocou impacto na época do lançamento, com
sua linguagem crua extraída da violência cotidiana,
ele agora se mostra ainda mais atual, devido à expansão
da fome e do desemprego nas grandes cidades.
Borges
e Moreira vivem, respectivamente, Tonho e Paco, dois miseráveis
que dividem um quarto numa espelunca e se agridem o tempo inteiro.Tonho,
mais instruído, é um revoltado pela falta de oportunidade
profissional. Paco, sem nenhuma perspectiva, enreda o colega num
jogo obsessivo que termina por levá-lo à loucura.
O
diretor Tanah Corrêa, pai de Alexandre Borges, sabiamente
procura não inventar firulas para adornar um texto que já
é perfeito por natureza. Os dois atores, convincentes, mostram
integração em cena, ainda que o personagem Paco ofereça
mais e melhores oportunidades para o português José
Moreira dominar a cena.
Mas
é de Borges, ator sério e dedicado ao teatro, o mérito
de trazer de volta à cena um texto de uma época em
que a dramaturgia brasileira buscava algo mais do que o riso fácil.
Dois atores num grande achado
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