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Instrumental
20
Duofel
marca 20 anos de carreira com disco gravado ao vivo
Guga
Stroeter
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| Luiz
e Fernando: o melhor do instrumental |
De
alguma maneira, cada povo encontra em um instrumento musical específico
a expressão mais completa de sua alma coletiva. A volúpia
dos ciganos é traduzida pelo som do violino imponderável,
a languidez melancólica das canções francesas
transborda nos timbres do acordeon.
A miscigenação
brasileira encontrou no violão a melhor síntese de
sua musicalidade, e da modinha do século 19 até a
nova bossa-nova do terceiro milênio, tudo é dito por
esse instrumento de graciosas curvas femininas.
O
Brasil pode comemorar a qualidade internacionalmente reconhecida
de seus violonistas, e a música instrumental deve celebrar
o disco 20, que marca os vinte anos de carreira do Duofel.
Essa
dupla composta por Fernando Melo e Luiz Bueno vem atravessando incólume
os modismos sucessivos da grande indústria cultural, sempre
nos fornecendo boa música cosmopolita e radicalmente brasileira.
Fernando e Luiz são virtuosos e têm uma energia vital
quase voraz que demonstra mais do que a intimidade com o violão:
ouvindo o Duofel sentimos a alegria da criação e da
desconstrução dos parâmetros da música
brasileira.
Nesse
álbum gravado ao vivo no Theatro Municipal de São
Paulo, a dupla assina a parceria em todas as composições,
e temos a participação especial de Hermeto Pascoal
tocando escaleta nas faixas Surfando no Trem e Azul
da Cor da Manteiga e Oswaldinho do Acordeon em Lamento
Noturno. Além disso, Luiz Carlos de Paula toca percussão
no frenético Calipso nervoso e Fábio Pascoal
contribui ao suingue do samba com o pandeiro em É pra
Jards.
Nesse
disco acontece de tudo, menos o tédio. Melodias eruditas
que nos remetem a Villa-Lobos são sucedidas por surpreendentes
experimentações de violões tocados com o arco
da rabeca nordestina. As harmonias de Espelho das Águas
aproxima-se do pop-folk internacional. A empatia entre esses músicos
é uma realidade que transcende individualidades. A música
do Duofel transita numa esfera que ignora a exacerbação
de egos individuais. Mundialmente brasileiro
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