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Romance
A
Caverna
Em seu novo romance após o Nobel, Saramago critica as relações de
trabalho
Cristian
Avello Cancino
| Edu
Lopes |
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O
escritor encerra trilogia |
Nas
primeiras linhas de A Caverna (Companhia das Letras, 352
págs., R$ 24,80), primeiro romance que José Saramago
escreveu depois de receber o Prêmio Nobel de Literatura em
1998, Cipriano Algor dirige sua caminhonete ao Centro,
uma espécie de shopping center militarizado. Oleiro
de profissão, ele está acorrentado aos seus 64 anos
e às conseqüências que esse tempo lhe trouxe.
O protagonista
da história quer vender o barro que moldou na olaria em forma
de pratos, cabaças, xícaras. Mas o chefe de mercadorias
do Centro, impiedoso, lhe comunica que ninguém
mais quer suas terracotas.
Os
produtos de plástico são a nova predileção
dos consumidores. Cipriano volta a sua aldeia em dúvida quanto
a sua sobrevivência e à de quem vive com ele: a filha
Marta, o genro que almeja morar no Centro, o cão
Achado e a vizinha Isaura.
Nesse
romance que fecha a trilogia involuntária da
qual fazem parte Ensaio sobre a Cegueira e Todos os Nomes,
o escritor português mais uma vez humaniza a crise que nos
jornais é explicada por meio de números e conceitos.
A crise acarretada pelas transformações econômicas
e pela estagnação moral, a crise de valores e identidades.
A
Caverna, como diz o autor, fecha uma visão de mundo.
Menos labiríntico que o Ensaio... e mais factual que
Todos os Nomes, é um bom começo para quem nunca
leu nada do prêmio Nobel português.
Uma luz no fim da caverna
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