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Musical
O
Beijo da Mulher Aranha
Tratamento no melhor estilo da Broadway atenua
complexidades e pasteuriza texto de Puig
Eudinyr
Fraga
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Divulgação
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| Cláudia
Raia canta e dança como Aurora, a “mulher aranha” |
Na
cela de uma prisão, um prisioneiro político (Valentin
Miguel Falabella) e um homossexual (Molina Tuca Andrada),
corruptor de menores. O convívio forçado
conduz o primeiro a conscientizar-se de sua individualidade e o
segundo a adquirir consciência do papel social do indivíduo.
Valentin,
Molina e Aurora (Cláudia Raia), a estrela de cinema criada
pela fértil imaginação dos prisioneiros, são
as personagens centrais de O Beijo da Mulher Aranha, musical
inspirado na adaptação de Terrence McNally para a
Broadway do romance de Manuel Puig.
A
luxuosa produção nacional (estimada em US$ 1 milhão)
é cuidada: corpo de baile, cenografia, vestuários,
efeitos sonoros, excelente iluminação e boa direção
de Wolf Maia. No eficiente elenco de apoio destacam-se Carlos Capeleti
e Vera do Canto e Mello.
Cláudia
Raia mostra que tem tudo para o papel da mulher aranha:
além de capacidade interpretativa e bela presença,
sabe cantar e dançar. Falabella e Andrada criam com segurança
seus papéis e têm plena noção de ritmo,
colocação e intensidade vocal. O último, aliás,
surpreende como cantor. Ressalva para a música de Fred Ebb
e John Kander, que não possui a categoria de Cabaret, outro
musical de sua autoria.
É
impossível deixar de constatar que as sucessivas adaptações
do romance (traduzido para 27 idiomas e sucesso no cinema, sob direção
de Hector Babenco) fizeram-no perder a complexidade original, enfatizando
o pitoresco em detrimento do humano. A versão musical pasteuriza-o
em definitivo. Produção impecável
Teatro
Jardel Filho Av. Brigadeiro Luís Antônio, 884
São Paulo Tel. (11) 3105-8433
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