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Roberto Carlos mostra a sua alma
Em seu primeiro show onze meses após a morte de Maria Rita, o Rei vive o momento mais emocionante de uma carreira de 40 anos e expõe seus sentimentos como nunca havia feito antes

Edu Lopes (fotos) e Rodrigo Cardoso de Recife

Roberto Carlos numa foto feita com imagens sobrepostas, durante o show em Recife, no sábado 11

Minutos antes de subir ao palco do ginásio Geraldão, em Recife, no sábado 11, depois de um ano sem fazer shows, Roberto Carlos chamou ao camarim o padre Antonio Maria Borges, amigo de longa data.

Tomou a bênção, os dois rezaram juntos e o cantor beijou a imagem de Nossa Senhora Aparecida e de outros santos antes de partir ao encontro das 10 mil pessoas que o aguardavam pacientemente havia quase duas horas.

Recluso há onze meses — desde a morte da mulher, Maria Rita Simões Braga, vítima de câncer aos 38 anos — Roberto reunia forças para cantar em público. Apoiado por familiares, amigos e fãs, o Rei fez o espetáculo mais incrível de seus 40 anos de carreira — e talvez do show bizz brasileiro. Foi difícil segurar a emoção.

Quando soaram os primeiros acordes de “Amor Sem Limite”, canção inédita dedicada à amada, ele afastou-se do pedestal e virou-se para um telão posicionado atrás da banda que exibia fotos de Maria Rita. O Rei levou as mãos ao rosto e pôs-se a chorar. Em onze meses, era a segunda vez que Roberto Carlos via imagens da mulher. A primeira foi na noite anterior, durante a passagem de som no ginásio.

Surpreendido pela projeção das fotos, caiu em prantos. “Ele não sabia que faríamos isso. Copiamos as fotos de revistas,” afirma Jorge Luiz Sirena, empresário do cantor. “Nesse período todo, ele não viu fotos de Maria Rita.” O fato tem uma explicação. Segundo alguns amigos, Roberto não precisa ver fotos pois Maria Rita está presente em sua vida o tempo todo. “Meu pai sonha acordado com Maria Rita”, acrescenta o filho, Roberto Carlos II, o Dudu.

As imagens no show fizeram Roberto desabar no palco. Nas arquibancadas, alguns fãs pediam para ele resistir. Outros gritavam: “Que Deus o abençoe!”. Padre Antonio Maria passou boa parte do show rezando. “Quando via que ele apertava os lábios, eu pedia para Deus segurá-lo firme e não deixá-lo chorar”, conta.

Roberto Carlos, 59 anos, chorou e muito. Foram cinco vezes durante o show e, pelo menos, outras sete nas 46 horas que permaneceu em Recife, capital escolhida para o início da turnê nacional e lançamento do novo disco do cantor, que deve chegar às lojas no próximo dia 25. Na capital pernambucana, ele abriu a alma como nunca havia feito em público.

“Não teve um dia, nesses meses todos, em que eu não tenha chorado”, contou Roberto, durante a entrevista coletiva da qual participaram cerca de cem jornalistas. “Tenho dificuldade para analisar e decidir coisas. A tristeza e a saudade são muito grandes. Na verdade, eu não estou preparado para começar, para continuar, para retomar minha vida artística.”

O Rei chorou cinco vezes durante a apresentação

A volta aos palcos foi adiada algumas vezes. O cantor relutou, mas acabou cedendo à imposição dos familiares e da equipe que administra a carreira dele. “Roberto não admitia o fato de um artista se apresentar sem estar preparado. Achava errado levar sua dor para o público”, conta Sirena. “Nós o convencemos dizendo que Paul McCartney desenvolveu um quadro parecido ao dele após a morte da mulher, Linda. E só começou a voltar a ser quem era depois de freqüentar os desfiles da filha estilista e ter novamente contato com a imprensa e com os fãs.”

Normalmente avesso a entrevistas, Roberto não se esquivou de nenhuma pergunta durante a coletiva. Há onze meses sofrendo sozinho, parecia decidido a dividir sua dor com todos. “Foi complicado compor. De repente, a gente quer falar de amor, mas amor rima com dor”, disse. “É difícil enfrentar tudo isso (leva as mãos à boca e chora) sem a presença física da pessoa que é o que há de mais bonito, mais precioso e mais importante na minha vida.”

Até o filho se surpreendeu com as declarações. “Foi maluco mesmo. Ele podia falar do disco, mas fez questão de tocar no assunto Maria Rita”, diz. “Eu estava sentado atrás dos jornalistas, quando ele começou a chorar. Pensei em correr para ver se ele precisava de ajuda, mas me segurei. Ao chorar e escancarar a tristeza, meu pai dividiu sua dor com o Brasil inteiro. E ele precisava fazer isso”, analisa Dudu.

O cantor chegou ao local da entrevista com os olhos marejados. Havia chorado minutos antes de começar a coletiva abraçado a um integrante de sua equipe de produção, no elevador de serviço. O figurino era o de sempre: camisa e a calça jeans azuis e desbotadas. No pulso esquerdo, trazia uma pulseira prateada. No direito, um terço azul. O desabafo durou quase uma hora e levou às lágrimas parte da platéia.

Nesse intervalo, porém, houve espaço para momentos de descontração. “Daqui para frente talvez eu faça alguns reflexos prateados no cabelo”, brincou Roberto, que agora está grisalho. Ele também falou de pensamentos religiosos: “Descobri que esse negócio de dizer ‘fique tranqüilo que o sofrimento é vontade de Deus’ não é bem assim. Nenhum pai faria seu filho sofrer. Partindo desse princípio sei que Deus não dá a dor, e sim a endorfina”, interpretou.

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