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Drama

MARCELO YUKA
A tragédia do Rappa
O baterista da banda O Rappa, que canta músicas sobre violência urbana, luta para não ficar paraplégico depois de ser baleado ao salvar uma mulher de um assalto

Luís Edmundo Araújo

Monica Imbuzeiro/Ag. O Globo
 
  O baterista e letrista da banda que compôs entre outros sucessos "Minha Alma"

Na quinta-feira 9, o músico Marcelo Fontes do Nascimento Vianna de Santa Ana, 35 anos, acordou tarde, como de costume, almoçou com os pais e, às 16h, recebeu a visita do baixista Lauro Farias e do DJ Negralha em seu apartamento, na Tijuca, zona norte do Rio.

Durante quase seis horas, o trio ensaiou e compôs novas músicas para O Rappa, a banda que formaram em 1993 e cujos três discos já venderam 800 mil cópias, com músicas que quase sempre falam da violência urbana.

Às 22h20, o baterista Marcelo Yuka, como é conhecido, se despediu dos parceiros, entrou na sua caminhonete Toyota Hilux e saiu para se encontrar com o cantor Ed Motta, com quem iria ao show de Max de Castro, no Rock in Rio Café, na Barra da Tijuca. Menos de 30 minutos depois, seu destino era outro.

Baleado ao tentar evitar um assalto, o músico foi levado para o Hospital do Andaraí, e corre o risco de ficar paraplégico. Cerca de 500 metros após ter saído da garagem de seu prédio, Yuka viu uma mulher sendo puxada para fora de seu carro por um assaltante.

Imediatamente, deu marcha à ré na direção dos dois para tentar assustá-lo, sem perceber outros cinco ladrões armados. O bando descarregou suas armas no carro de Yuka, abandonou o Pointer da mulher e fugiu do local, a bordo de uma Blazer e de um Gol. Atingido por quatro tiros – dois no braço esquerdo, um nas costas e um no pescoço –, o baterista perdeu o controle da caminhonete e bateu numa árvore.

REAÇÃO À VIOLÊNCIA Não foi o primeiro ato heróico do baterista. “Meu filho já fez isso antes. Ele é muito emocional”, conta o pai do músico, o administrador de empresas Djalma Santa Ana. No início do ano, Yuka impediu que uma mulher fosse assaltada por um pivete na Praça da Bandeira, zona norte do Rio.

Na ocasião, Yuka parou o carro e correu atrás do ladrão. “Ele disse que poderia ter tomado um tiro e que não faria isso de novo”, lembra Carlos Henrique Santos, produtor de O Rappa.

Principal letrista da banda, Marcelo Yuka foi vítima de sua maior preocupação, exposta em letras como “Minha Alma” e a versão para “Hey Joe”, de Jimmy Hendrix. Nascido numa família de classe média, cresceu próximo da pobreza, em Campo Grande, zona oeste carioca, e hoje mora perto da Favela do Andaraí.

A preocupação com a miséria e a violência vem desde os tempos que tocava no grupo de reggae KMD-5, na Baixada Fluminense, e ficou mais forte com O Rappa, a banda formada de improviso para acompanhar turnê do jamaicano Papa Winnie pelo Brasil. Por sugestão de Yuka, o grupo doou 5% da vendagem de seu terceiro disco, Lado B Lado A, a uma ONG que auxilia comunidades carentes.

A banda foi a primeira a se rebelar contra os privilégios concedidos às atrações internacionais do Rock in Rio III, previsto para janeiro. Depois de se recusar a tocar de dia, abrindo os shows de grupos americanos, o Rappa foi seguido por outras cinco bandas – Raimundos, Skank, Charlie Brown Jr, Cidade Negra e Jota Quest – que anunciaram a saída do festival há duas semanas. Depois do que ocorreu, sete espetáculos foram cancelados.

Nada que ameace a continuidade do grupo. A pedido de Yuka, o tecladista Lobato o substituirá na bateria. Seu irmão, Maurício Lobato, entrará no grupo para assumir os teclados.

Dois dias depois de sofrer quatro cirurgias no Hospital do Andaraí — a mais complicada para retirar a bala alojada na vértebra — o músico foi removido para a Clínica São José, particular. No dia 13, foi transferido da UTI para um quarto, onde permanece acompanhado pelo pai e a mãe, Luísa. O baterista já mexeu os dedos dos pés e restabeleceu o reflexo das pernas.

Mas o neurocirurgião Ênio de Vuono, que operou Yuka e acompanha o tratamento, só terá um diagnóstico preciso passados dez dias da primeira sessão de fisioterapia, realizada na terça-feira 14. “Só com a fisioterapia diremos algo com precisão.” Mas o médico revelou o que tem ouvido do paciente: “Vou ficar bom”.

Patrícia Santos/Folha Imagem
O Rappa surgiu em 1993 para seguir a turnê do jamaicano Papa Winnie pelo Brasil. Yuka, o vocalista Falcão (com rastafari), Lauro Farias (baixo), Marcelo Lobato (teclados) e Xandão (guitarra) já venderam 800 mil CDs

 

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