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Automobilismo

“Não dá para ser bonzinho na Fórmula 1’’
Luciano Burti, o mais novo brasileiro da categoria, se diz preparado para sobreviver num ambiente dominado pela vaidade, falsidade e intriga

Carlos Henrique Ramos

Beto Tchernobilsky
 
Burti: “Há muita gente querendo puxar o tapete o tempo inteiro. Dentro da pista é cada um por si"  

Ele era a sensação nas casas de apostas inglesas. Luciano Burti debutava no automobilismo internacional, no campeonato de Fórmula Vauxhall Jr. de 1996. O noviciado não o impediu de se destacar nas primeiras aceleradas. Foram três vitórias e um honroso terceiro lugar na classificação final.

Dentro das pistas, impressionou os dirigentes. Fora delas, seduziu os apostadores. Como barbada, costumava pagar prêmios baixos. Para cada libra esterlina apostada, o brasileiro devolvia três, no máximo. “Parecia um jóquei clube”, relembra. Burti, no caso, surgia como espécie de puro-sangue entre os corredores. “Eu também apostaria em mim”, brinca.

O faz-de-conta terminou. Burti, 25 anos, está a caminho do “ninho de cobras”. É dessa maneira que o herdeiro de um império gráfico refere-se à Fórmula 1. Em 2001, estreará na categoria a bordo de um carro da Jaguar – escuderia que já integrava como piloto de testes. E se diz preparado para o desafio. “Há muita vaidade, desconfiança, intriga e jogada de bastidores”, explica. “Não existe amizade num ambiente cercado pela competição. Tem gente querendo puxar o tapete o tempo inteiro. Não dá para confiar em ninguém”, completa.

O piloto fala com conhecimento de causa. Este ano, ele esteve em todas as corridas, como rezava o contrato com a Jaguar. Numa dessas oportunidades, a sorte cruzou seu destino. O irlandês Eddie Irvine, vitimado por uma apendicite, estacionou no hospital. Assim, em 16 de julho, Burti alinhava o carro para disputar o GP da Áustria. Chegou ileso ao fim da prova. “Quando estava de macacão, ganhei um monte de amigos”, ironiza. Este clima hostil não o intimida. Pelo contrário. “O prazer de dirigir sufoca qualquer tipo de politicagem”, diz.

Nascido em São Paulo, ele garante ter o antídoto para sobreviver em meio ao fogo cruzado: egoísmo. “Não dá para ser bonzinho na Fórmula 1”, admite. “Há momentos em que só dá para pensar em você. O resto que se dane”, afirma. Luciano Burti será o terceiro brasileiro no grid de largada da próxima temporada. O time estará desfalcado de Ricardo Zonta, que perdeu o emprego na equipe BAR. “O Zonta é bom, mas ficou sem espaço porque foi bonzinho demais”, acredita.

O caçula da categoria também opina sobre os outros dois compatriotas. Na opinião dele, Pedro Paulo Diniz foi alvejado pela fortuna pessoal. “O problema é que ele carrega a fama de que paga para correr e abriu espaço com dinheiro. Apesar disso, tem bom conceito com os dirigentes.”

Em relação a Rubens Barrichello, a dificuldade tem nome e sobrenome: Michael Schumacher. A presença do tricampeão mundial na Ferrari sufoca o talento de Rubinho. “É desvantajoso ser o número dois em qualquer equipe. E as coisas tornam-se mais complicadas quando o primeiro piloto é Schumacher”, acredita.

MOTOQUEIRO A paixão pela velocidade surgiu através das motos. Nas ruas de um condomínio fechado, em Ibiúna, a 70 quilômetros de São Paulo, pilotava uma Yamaha RD 350 cilindradas. Tinha 14 anos. Animado, vislumbrou a possibilidade de disputar campeonatos. Os pais proibiram. “Nem houve negociação”, relembra. Insistente, não desistiu. Vendeu o macacão e o capacete de motoqueiro e economizou o dinheiro da mesada para comprar um velho kart. Iniciou a carreira em Interlagos, em 1991. Quatro anos depois, ganhou o título paulista.

Nessa época, Luiz Carlos Burti, o pai, tinha outros planos para o filho. Ele queria que o adolescente se incorporasse à rotina da empresa que emprega 1.200 funcionários, possui quatro escritórios no Brasil, um em Nova York, e processa 900 toneladas de papel por mês. O garoto bem que tentou. Mas em pouco tempo trocou o escritório pelo automobilismo inglês. Lá, foi campeão de F-Vauxhall em 1997, e correu os dois anos seguintes na F-3, até ser contratado pela Jaguar.

Para a estréia na F-1, a primeira medida foi trocar de casa. Ele deixou Cambridge, na Inglaterra, por Mônaco. Circulará pelas ruas do Principado com um modelo esportivo Jaguar. Mas não vê o momento de acelerar o novo carro da equipe. Os objetivos são prosaicos: Burti quer terminar as corridas, marcar alguns pontos e andar colado em Eddie Irvine, o número um da escuderia. Se for mais rápido, sabe que encontrará problemas. E não os teme. “Dentro da pista é cada um por si”, avisa.

 

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