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Sylvio
de Vasconcellos, 85 anos
O
sindicalista conservador
Dirigente
desde 1953, ele esteve ao lado de Jânio Quadros em todas as campanhas,
conheceu Franco Montoro num grupo de jovens da Igreja Católica e
apoiou o Golpe de 1964 por temer o comunismo
Carlos
Henrique Ramos
| Norma
Albano |
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Sylvio de Vasconcellos: "Já pensei várias vezes em parar
de trabalhar, mas ainda não tive coragem" |
Sylvio
de Vasconcellos nunca filiou-se a partidos políticos. Nem mesmo
quando convidado por Jânio Quadros ou Franco Montoro, os únicos
candidatos que apoiou publicamente. Optou pelo movimento sindical.
E fez dele sua trajetória de vida.
São
47 anos de dedicação à causa. Desde 1953, ele é membro do Sindicato
dos Empregados do Comércio de São Paulo, cuja sede funciona na rua
Formosa, centro da cidade. Entrou no Conselho Consultivo e passou
por todos os cargos até ser presidente, posto que ocupou por duas
décadas (1969-1989).
Hoje
é um dos secretários. Tem a responsabilidade de administrar 300
funcionários, ler os três diários oficiais e fazer homologação de
empregados demitidos. “Já pensei várias vezes em parar de trabalhar,
mas ainda não tive coragem de levar essa decisão até o fim”, admite.
O trabalho
sustenta a motivação do velho sindicalista. Diariamente, dá expediente
das 13 às 18 horas. De terno e gravata, demonstra lucidez e memória
impressionantes para relembrar do passado. E faz um relato emocionado
das obras que ajudou a erguer. Principalmente do ambulatório, na
Vila Mariana, inaugurado em 30 de outubro de 1981. A diretoria decidiu
batizá-lo com o nome dele.
Num
prédio de oito andares, médicos, dentistas e fisioterapeutas garantem
o atendimento gratuito de até duas mil pessoas por dia. Na sua gestão
também foi construído o clube de campo de Cotia, na Grande São Paulo
– um espaço com 205 mil metros quadrados à disposição dos comerciários.
“Foi feito com sacrifício e carinho.”
APOIO
AO GOLPE A atuação sindical permitiu-lhe a aproximação com vários
líderes nacionais. Nesse período, tornou-se um adversário feroz
do comunismo, posição que mantém até hoje. Em 19 de março de 1964,
com um milhão de paulistanos, participou da Marcha da Família com
Deus pela Liberdade, prenúncio da reação conservadora que iria desaguar
no golpe militar de 31 de março. Sylvio estava lá.
“Sempre
fui de centro-direita.” A
aversão ao sistema político que imperava na então União Soviética
não o impediu de admirar João Goulart. “Uma pessoa formidável e
educada”, diz. “Mas não conversávamos sobre política.”
Com
Jânio Quadros, cultivou-se uma relação de lealdade e admiração.
“Foi um dos maiores oradores que o nosso País já teve”, acredita.
Sylvio votou nele em todas as eleições. E nunca se arrependeu deste
engajamento.
Participou
de suas campanhas ativamente: pregou cartazes nas ruas e acompanhou
o candidato em viagens pelo interior do Estado. Só ficou desconfiado
quando Jânio, na Presidência da República, condecorou Ernesto Che
Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana, com a ordem nacional
do Cruzeiro do Sul – a mais alta comenda brasileira. “Ele era imprevisível.”
ANAUÊ
O mesmo carinho e atenção foram destinados a Franco Montoro. Eles
se encontraram num grupo de jovens da Igreja Católica. “Como congregados
marianos, rezamos juntos muitas vezes”, recorda-se. Também conheceu
Plínio Salgado, o idealizador do integralismo, o braço do fascismo
no Brasil. Quando o encontrava, gostava de cumprimentá-lo com o
“anauê”, a saudação integralista. “Ele era afável, mas sempre rejeitei
o integralismo.”
Quando
chegou em São Paulo, vindo de Franca, interior de São Paulo, onde
nasceu, o menino ficara impressionado com a cidade grande. Principalmente
com o bonde. Mas a família sobrevivia a um drama penoso. Juvenal,
o pai, havia morrido. Maria Augusta, a mãe, adquiriu uma pensão
na avenida São João. Mãe e oito filhos aportaram na capital em meio
à Revolta de 1924. “Na esquina da casa havia trincheira e, às vezes,
os tiroteios duravam a noite inteira”, relembra.
Naquele
mesmo ano, o garoto empregou-se numa sapataria e matriculou-se no
grupo escolar no Largo do Arouche. Nas horas vagas, vendia jornal
pela rua e refrigerante na porta dos estádios. Essa rotina atribulada
tirou-o da escola. Só completou o antigo curso primário.
Depois
da sapataria, trabalhou numa farmácia e foi office boy num escritório
de advocacia. Em 1933, tornou-se escriturário das Casas Pernambucanas.
Em 2 de janeiro de 1939, era admitido como balconista da Isnard,
uma loja de departamentos, na rua 24 de Maio. Foi o último emprego.
Através de um colega de balcão, conheceu o sindicalismo. E nunca
mais largou.
Viúvo
desde o ano passado, Sylvio mora num apartamento de 200 metros quadrados
em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo. Conta com a ajuda das filhas
Silvia e Lucila, seis netos, além de Geralda, a empregada doméstica
que o acompanha há 11 anos. A grande alegria é a bisneta de dois
anos. É em nome da família que ele desperta diariamente às 4 horas.
No silêncio da madrugada, reza o terço. “Tem muita gente para pedir
proteção.”
| Fotos:
Reprodução |
 
   |
| No
início da carreira sindical, no final da década de 50 (1). Sylvio
de Vasconcellos confraterniza-se com Adhemar de Barros Filho
(2). Na viagem que fez ao Havaí, em 1973, para um congresso
mundial de comerciários (3). Na inauguração do ambulatório que
leva seu nome, em 1981, que contou com a presença do então ministro
Murilo Macedo (4). Ele recebe uma homenagem das mãos de Almir
Pazzianoto (5). |
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