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Por onde anda

CARLOS MIRANDA
O vigilante rodoviário

Ator virou policial de verdade quando a série
Vigilante Rodoviário saiu do ar e se casou com fundadora do seu fã-clube

Gustavo Maia

David Helman
Policial aposentado, Carlos Miranda ganha a vida se apresentando em festas

Em 1961, com onze anos de existência e ainda restrita a alguns milhares de espectadores, a televisão brasileira comprovou sua vocação de fábrica de celebridades instantâneas ao colocar no ar o primeiro seriado produzido no País: O Vigilante Rodoviário.

“Nossa intenção era fazer algo nacional”, conta Carlos Miranda, hoje com 67 anos, que, ao lado do pastor alemão Lobo, transformou-se no nosso primeiro grande herói de tevê. “Foi uma surpresa”, diz ele. “Um dia eu fazia teatro amador, no outro, era um astro.”

Inspirada na polícia patrulheira, criada pelo governador paulista Adhemar de Barros para dar emprego aos pracinhas que voltaram da Segunda Guerra, a série atingiu 72% de audiência. Ficou no ar por um ano e foi cancelado em 1962 por falta de patrocínio. Mas marcou a vida do ator.

Três anos mais tarde, ele abandonou a carreira e entrou para a Academia de Polícia. Virou um policial rodoviário de verdade. “As pessoas que eu parava nas estradas me pediam autógrafos”, lembra.

Hoje, Miranda está aposentado e ganha a vida se apresentando em festas trajado do personagem Vigilante Rodoviário. Mora com a terceira mulher, Laura, 44 anos, num apartamento em São Caetano do Sul, Grande São Paulo. Na sala estão pilhas de fotos dele e do cachorro Lobo, morto em 1971. “Chorei muito quando morreu”, conta.

O acervo de fotos e objetos da série foi organizado por Laura, vinte e três anos mais nova que o marido e maior fã de seu personagem. “Tinha cinco anos e não perdia um episódio”, diz. A paixão pelo herói era tanta que ela fundou um fã-clube para Miranda. Foi lá que os dois se conheceram. “Casei-me com meu herói”, brinca Laura.

 

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