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Foco
Gregori
X Ratinho: no braço de ferro
Cassia
Dian
| Beto
Tchernobilsky;Divulgação |
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O ministro José Gregori (à esq.) garante que não censura, mas
combate abusos de Ratinho |
Ao
exibir, no dia 23 de outubro, imagens de tortura de uma criança
de 3 anos, o Programa do Ratinho (SBT), do apresentador Carlos
Massa, voltou ao centro da polêmica sobre ética e qualidade
da programação na tevê.
Seu
programa já havia sido proibido pela Justiça de exibir
brigas e, recentemente, teve a veracidade de suas matérias
colocada à prova após dar espaço a uma mulher
que dizia ter o marido seqüestrado, quando, na realidade, tratava-se
de um caso de suicídio.
Após
o programa, o Ministro da Justiça, José Gregori, tomou
uma enérgica atitude de repreensão ao apresentador.
A primeira desde a edição da portaria 796, de 12 de
setembro, que aumenta o valor da multa para quem não seguir
a classificação dos programas por idade. Em carta
endereçada a Ratinho, o ministro proibiu uma nova exibição
da fita. Não tenho nada contra o programa do senhor
Massa. Agora, quando passa do limite, como aconteceu, o ministro
da Justiça não pode ficar de braços cruzados,
disse Gregori à Gente.
O
apresentador garantiu que não voltaria a exibir a gravação
por decisão própria e não por conta
da proibição. Há imagens que são
necessárias. Eu fiquei uma hora e meia dizendo não
assista. Se isso cria expectativa, é problema de quem
assiste, não meu. Você quer que eu conserte a consciência
dos outros?, disparou.
O ministro
contradiz a opinião de Ratinho, dizendo que existem outras
maneiras de chamar a atenção da polícia e do
governo. Passar um vídeo com cenas dolorosas não
é fazer campanha contra o crime. É, na realidade,
uma apelação que foi condenada pela população.
Recebi milhares de e-mails cobrando uma atitude do ministro da Justiça,
diz Gregori.
O
episódio abriu a discussão sobre quem é o responsável
pelo conteúdo televisivo. O governo anda muito preocupado.
Acho que não tem que proibir nada. O telespectador escolhe
o que quer ver, diz Ratinho. O duelo de opiniões reflete
na população. Uma pesquisa realizada esta semana no
site de Gente, apontou que a maioria dos internautas
(60,48%) aprova as cenas de violência explícita no
Programa do Ratinho.
Esforçando-se
para deixar claro que não pretende censurar emissoras, mas
controlar abusos, Gregori diz que não houve má
vontade das televisões em cumprir a portaria. Todo
país tem legislações que estabelecem limites.
Nenhuma sociedade é tão voluntarista a ponto de deixar
tudo ser decidido pelas pessoas, diz o ministro.
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