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Drama
A
Mulher sem Pecado
Raras vezes Nelson Rodrigues ganhou encenação tão fiel
Mauro
Ferreira
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Divulgação
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| José
de Abreu, que atua e produz, e Luciana Braga |
Nos
anos 90, os textos de Nelson Rodrigues (1912 -1980) foram exaustivamente
encenados nos palcos do eixo Rio-São Paulo. Chegou a virar
modismo montar um Nelson e muitas heresias foram cometidas
em nome da modernidade da obra do maior autor nacional.
Mas
o primeiro texto do dramaturgo, A Mulher sem Pecado, passou
praticamente despercebido naquela febre rodriguiana. Coube agora
a José de Abreu produzir e protagonizar a peça, em
bem-sucedida montagem no Teatro Nelson Rodrigues, no Rio.
A
Mulher sem Pecado foi escrita em 1941, e não em 1940
como vem divulgando o ator e produtor para criar um gancho
jornalístico em torno dos supostos 60 anos do primeiro texto
de Nelson. Mas o fato é que a montagem de Abreu independe
de datas para se justificar. Raras vezes Nelson foi encenado com
tanta fidelidade ao seu universo doentio e claustrofóbico.
Em
cena, Abreu encarna com maestria Olegário, marido obcecado
pelo fantasma da infidelidade da mulher Lídia (Luciana Braga,
em atuação perfeita, sem excessos). A trama está
centrada nas interrogações de Olegário com
seus empregados e com a própria mulher para encontrar supostos
indícios da traição de Lídia. Mas isso
é o bastante para Nelson expor os demônios que habitam
a consciência humana em texto habilidoso.
O
pesado cenário de Hélio Eichbauer contribui para criar
a atmosfera sufocante da encenação. A Mulher sem
Pecado tem ainda o mérito de trazer a veterana Vanda
Lacerda de volta aos palcos e de revelar Rocco Pitanga, irmão
de Camila, em atuação desenvolta como o motorista
Humberto, personagem que desencadeia o trágico final. Enfim,
um Nelson à altura do próprio Nelson. Coisa rara.
Uma peça sem pecados
Teatro
Nelson Rodrigues Av. Chile, 230 Tel.: (21) 262-0942
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