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Ping-pong
Bebel
Gilberto
Paula
Alzugaray
| Divulgação |
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Bebel,
33 anos, começa a carreira com um pé no Brasil e outro
no mundo. Tanto Tempo, seu primeiro CD, foi lançado
antes nos Estados Unidos, onde ela viveu por dez anos, e na Europa,
onde mora hoje. Em conversa com Gente pelo telefone,
de Londres, Bebel falou sobre música e seus pais, Miúcha
e João Gilberto.
Você
concorda que Tanto Tempo é ao mesmo tempo clássico
e moderno?
Tento seguir minha intuição. Neste trabalho
tive a sorte de ter o Suba (produtor iugoslavo-paulistano), que
trouxe o elemento moderno numa dosagem perfeita. Eu sempre fui mais
acústica.
Você
lançaria um disco acústico?
Não agora. Quero continuar essa linha de trabalho
que gosto muito e está tendo uma receptividade superlegal.
A
sonoridade eletrônica é uma realidade irreversível
para a nova MPB?
Foi muito legal usar samplers e ter a possibilidade de recriar
pedacinhos e climas dos anos 50. Como a música Tanto
Tempo, que parece um som com poeira. Mas ficar presa a qualquer
coisa não é positivo. Seria muito radical ficar só
nisso.
Você
vai assumir seu lado compositora?
Completamente. Quando você começa, não
pára mais. A Cesária Evora me fez uma encomenda que
será a primeira composição que vou assinar
sozinha.
O
canto é um dom ou resultado de muito trabalho?
Os dois. Graças a Deus nasci com uma voz muito
afinada e me considero muito musical. Mas é importantíssimo
ter prolongado o aprendizado que iniciei em casa. Cresci ouvindo
meu pai e minha mãe cantar. Em Nova York acabei finalizando
minha estrutura musical.
A
expectativa gerada por ser filha de João e Miucha a atrapalhou?
Atrapalhou muito. Inclusive minha mudança para
Nova York foi também por causa disso. Queria encontrar um
caminho próprio, sem comparações.
Como
era a convivência em casa?
Meu pai diz que eu comecei a cantar antes de falar. Na
verdade segui o exemplo deles, que sempre cantaram mais do que falaram.
Meu pai pega o violão e canta cinco horas sem parar. Depois
sai cantarolando, procurando alguém que também esteja
cantando. Acho que, por isso, eu comecei a soltar mais sons melódicos
do que palavras.
Você
quer voltar a cantar em dueto com João?
Sempre. Só não cantei mais antes porque
era importante firmar o meu espaço.
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