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Leia
trecho do livro |
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Reportagem
O
Reino e o Poder
Ex-repórter
especial Gay Talese revela bastidores
do The
New York Times
Neuza
Sanches
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Foto: Divulgação |
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As
entranhas da Imprensa podem agora ser apreciadas em um dos melhores
retratos já realizados do universo considerado o quarto poder.
O Reino e o Poder (Companhia das Letras, 560 págs.,
R$ 39), do jornalista Gay Talese, é uma obra lançada
em 1969, nos Estados Unidos, e que só agora tem sua versão
em língua nacional.
O autor
desenlaça o nó editorial de um grande jornal ao mostrar
como as notícias de interesse público estão
diretamente relacionadas aos interesses do microcosmo de uma redação.
Tudo isso é desvendado por Talese ao contar a história
do The New York Times.
O
autor traz a saga das famílias Ochs e Sulzberger, descendentes
dos judeus alemães, que formaram a dinastia do jornalismo
norte-americano. Para isso, Talese usa e abusa de seu estilo jornalístico
pioneiro e conhecido nos dias de hoje. Adota técnicas de
apuração jornalística que vão além
das entrevistas tradicionais. O autor se alimenta de pesquisas em
arquivos, obtenção de documentos como cartas e diários
para montar diálogos e uma rica descrição de
detalhes. Recursos, aliás, utilizados pela literatura dos
romances.
A
obra mostra, por exemplo, que a redação de um grande
jornal é na verdade palco de dramas de toda sorte, como alianças
extemporâneas, turras virulentas entre repórteres e
editores e jogos de influências de toda espécie. Dessa
forma, o autor desvenda as formações das rixas comuns
às redações. Prova ainda que elas são
muito mais do que um amontoado de casos de interesse restrito ao
universo jornalístico. Mas não é só.
Talese
vai além ao relatar como o poder político e econômico
se relaciona com repórteres e editores do jornal. Coloca,
por exemplo, presidentes como John Kennedy e Richard Nixon como
coadjuvantes de histórias ao relatar suas estratégias
para cativar jornalistas e editoriais favoráveis aos seus
respectivos nomes.
O
Reino e o Poder está longe de ser de interesse restrito
aos americanos. Pelo contrário. O livro alinhava a saga da
dinastia do The New York Times a casos paralelos importantes relacionados
às Primeira e Segunda Guerras Mundiais, à recessão
de 1929, que atingiu o mundo inteiro em efeito dominó, entre
outros momentos da história mundial deste século.
Atual aos 30 anos
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