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Perfil

Bahman Ghobadi em Hollywood

Alessandro Giannini

Silvana Garzaro

O cineasta, em São Paulo: apostando tudo no Oscar

Pela primeira vez, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo dividiu seu prêmio principal, o troféu Bandeira Paulista, entre três filmes. Foram eles Billy Eliot (Inglaterra), de Stephen Daldry; Capitães de Abril (Portugal), da também atriz Maria de Medeiros, e Tempo de Embebedar Cavalos (Irã), de Bahman Ghobadi.

O diretor iraniano, de 31 anos, no entanto, teve razões para comemorar duplamente. Seu longa-metragem foi escolhido como representante do país na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira.

“Fiquei muito feliz com o prêmio e com a indicação”, disse ele, em entrevista à Gente. “Tenho recebido uma quantidade enorme de ligações e muitos amigos disseram que temos boas chances de estar entre os cinco indicados.” Ghobadi, que depois da Mostra voltaria para Teerã, desviou o curso para os Estados Unidos, onde está se reunindo com executivos da distribuidora americana do filme para desenhar uma estratégia de marketing.

Para Leon Cakof, diretor da Mostra, tudo vai depender de lobby. “Nós sabemos que Oscar é decidido assim”, alertou. “Principalmente, no que diz respeito ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro.” Segundo Cakof, o fato de Ghobadi ter voltado para os Estados Unidos e a quantidade de faxes com pedidos de entrevistas recebidos durante a estadia em São Paulo são bons sinais.

De origem curda, Ghobadi nasceu em uma cidade próxima à fronteira com o Iraque e a Turquia. Sentiu de perto o drama desse povo, que é obrigado a contrabandear para poder sobreviver. “Minha família morava nestas pequenas vilas fronteiriças”, contou. “Mas nunca precisei contrabandear.”

Antes de Tempo de Embebedar Cavalos, Ghobadi dirigiu uma série de curtas-metragens, trabalhou como assistente de direção de Abbas Kiarostami em O Vento nos Levará e como ator para Samira Makhmalbaf em O Quadro Negro. Ganha a vida como professor de cinema. O seu próximo filme será sobre mulheres e música. “Agora, tenho energia para fazer algo muito melhor.”

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