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Elsie Dubugras, 96 anos

A grande dama da parapsicologia
Uma das maiores estudiosas do assunto, ela mordeu a mão do padre no dia do batizado, foi uma espécie de detetive na Pan-American Airlines e apresentou ao mundo o trabalho do médium Luiz Antonio Gasparetto

Carlos Henrique Ramos

Beto Tchernobilsky; Álbum de Família
Elsie Dubugras na redação da revista Planeta e em foto de 1924 (à esq.), quando tinha 20 anos

Ela sempre foi precoce, espevitada e contestadora. Aos 2 anos já lia e escrevia as primeiras palavras. Nessa mesma época, brigou para não ser batizada na Igreja Anglicana, em Londres. Chegou a morder a mão do padre. Essa atitude rebelde era um prenúncio do que viria pela frente.

Elsie Dubugras nunca se encaixou em nenhuma religião. “Não sei o que sou até hoje”, afirma. Apesar dessa indefinição, tornou-se uma das maiores estudiosas brasileiras de parapsicologia, assunto que pautou sua vida como jornalista e pesquisadora. Seus livros foram lançados no Exterior. “Desde mocinha eu via algumas coisas estranhas”, relembra. “Tentei entender o que era aquilo e fiquei fascinada.”

Elsie Dubugras continua na ativa. Aos 96 anos, é editora especial da revista Planeta, que trata de temas como paranormalidade, ecologia, religião e ufologia, entre outros assuntos. Ela trabalha lá desde 1970. Engana-se quem pensa que o cargo é decorativo. A jornalista chega na redação às 9h. E só vai embora às 16h. Um motorista da Editora Três, responsável pela publicação, está escalado para levá-la e buscá-la diariamente em casa, na Lapa, onde mora sozinha.

“Aposentadoria é uma palavra que desconheço”, avisa. Viúva, teve dois filhos. O mais novo morreu ano passado. O outro aposentou-se e mora em Itanhaém, litoral sul de São Paulo. “Ele quer que eu vá morar na praia. Já disse diversas vezes que não vou”, diz.

Reconhecida internacionalmente como especialista em parapsicologia, a jornalista lançou vários livros, entre eles O Mundo Paranormal, É você, Renoir e Luiz Antonio Gasparetto, uma biografia do brasileiro que ficou conhecido por sua pintura mediúnica. Como artista plástica, expôs os desenhos em aquarelas e bico-de-pena nas publicações São Paulo do Tempo da Garoa e Imagens do Litoral Paulista.

Na televisão, foi pesquisadora do programa Terceira Visão, veiculado pela Rede Bandeirantes. Também trabalhou na extinta Pan American Airlines, de 1963 a 1970. Lá, caçava os maus pagadores. Era uma espécie de detetive. A missão era localizar os clientes inadimplentes. “Dei a volta ao mundo pelo menos quatro vezes com esse trabalho. Sempre localizei os procurados.”

Nessas viagens, esteve no Alaska, contemplou o pôr-do-sol no Himalaia e até andou de elefante na Índia. Dessas investigações, ela guarda diversas histórias curiosas. A mais interessante deu-se quando descobriu um senhor que fazia contrabando de pedras preciosas.

O negócio utilizava cachorros, que eram embarcados em avião para os Estados Unidos. Dizendo-se importador, o espertalhão conquistou a confiança de joalheiros do Centro de São Paulo. O rapaz pegava as pedras, enrolava num pedaço de carne, oferecia para o bicho comer, e em seguida colocava dentro da aeronave. Ao chegar ao destino, o cão era exterminado e o tesouro retirado. “Nem me lembro como isso ficou.”

FADAS E GNOMOS Filha de pai dinamarquês e mãe escocesa, ela nasceu em São Paulo, em 2 de março de 1904. Wilhelm Augustus era um antropólogo. Deixou a África do Sul para catalogar borboletas e outros insetos no Brasil, onde conheceu Mary Ada, a mãe.

Antes mesmo de completar um ano, Elsie mudou-se para a Inglaterra. Lá, cursou Jornalismo e Secretariado Executivo no “Women’s Institute”. Na adolescência, acostumou-se a ouvir sobre fadas e gnomos. Dentro de casa, Mary Ada lia a linha das mãos. Passou a se interessar por temas esotéricos. Aos 20 anos, retornava ao Brasil com a família. Na capital paulista, banhava-se no rio Tietê. “A água dava até para tomar de tão limpa.”

Nesse período, contemplava o sítio do engenheiro Glete, principalmente com o córrego que nascia na rua Itambé e desaguava no lago daquela propriedade. Era um local de piquenique. Hoje, o viaduto Minhocão foi erguido ali. Aos finais de semana, costumava alugar carruagens que a levavam aos bailes dançantes na avenida Paulista. Nessa época, convivia com visões que não sabia explicar. Elas surgiam atrás das pessoas. “Acontecia a todo instante, pensava que era gente normal”, relembra.

A partir desses fenômenos, sentiu-se estimulada a estudar. A partir daí, tornou-se uma especialista. Desenvolveu sua mediunidade na Federação Espírita. E não parou mais. Psicografava mensagens. “Faz tempo que isso não acontece mais.” Acompanhou o trabalho de vários cirurgiões espirituais. O primeiro deles foi Antônio Geraldo de Pádua. Por diversas vezes esteve com Chico Xavier, em Uberaba. “Trata-se do homem mais extraordinário do mundo. É um exemplo de pureza e simplicidade.”

O trabalho que lhe deu mais visibilidade nacional e internacional, no entanto, foi com o médium Luiz Antonio Gasparetto, na década de 80. “Eu que o apresentei ao mundo”, confessa Elsie, depois de tê-lo conhecido numa sessão de pintura. Nesse encontro, ele produziu 16 quadros em 40 minutos. O que mais a impressionou foi o fato de “o artista não diferenciar um Manet de um Monet.” Ambos partiram para uma viagem de dois meses pela Europa.

Esse trabalho chamou a atenção da BBC de Londres, que produziu um programa exibido em horário nobre e assistido por nove milhões de pessoas. E, se tiver oportunidade, promete produzir outros. “Só paro de trabalhar no dia da minha morte”, afirma.

Fotos: Reprodução
Ao lado do paranormal inglês Mathew Manning, especialista em cura e pintura mediúnica (1). Com Luiz Antonio Gasparetto (em pé), o brasileiro que Elsie Dubugras apresentou ao mundo, numa viagem de dois meses pela Europa (2). Em conversa com o pai-de-santo Carlos Buby, do Templo Caboclo Guaracy (3).

 

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