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Religião
Marcelo
Rossi
A volta do padre pop
Há dez meses longe das missas-show e das apresentações na tevê,
o sacerdote lança o terceiro disco, com tiragem inicial de 1 milhão
de cópias
Marianne
Piemonte
| Silvana
Garzaro |
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| O
disco traz a oração de Santo Antônio: “É um pedido das mulheres
que dizem estar complicado arrumar alguém ” |
Foram
dez meses de reclusão e dez quilos a menos. No retorno, estrategicamente
calculado, ele deseja voltar a empolgar as multidões. Como os astros
da música, padre Marcelo Rossi saiu de cena para não desgastar a
imagem.
Recolheu-se,
preparou um novo disco, inventou uma coreografia diferente e na
quinta-feira 2, dia de Finados, viverá o maior teste de popularidade
deste ano. Vai celebrar uma missa gigante com muita música no Autódromo
de Interlagos, em São Paulo, programada para ser transmitida ao
vivo pela tevê.
Os
dois milhões de lenços brancos encomendados para o evento dão a
medida da recepção que ele espera dos fiéis. No ano passado, conseguiu
reunir 600 mil pessoas.
“Me
afastei para dar saudades. Sou um estrategista, jogo xadrez e com
isso aprendi a hora certa de sair”, diz o padre. Ele recorre a dois
personagens para justificar a reclusão: Jesus Cristo e Roberto Carlos.
“Jesus fazia isso, ele saía em retiro. Se o todo poderoso fazia
isso, eu não vou fazer? Roberto
Carlos também, é outro grande exemplo.
Seu
mentor, o bispo dom Fernando Figueiredo, que ordenou Rossi e supervisiona
as atividades do padre, assina embaixo. A presença
constante na televisão desgasta e se não há
lançamento de CD não existe razão para aparecer,
defende.
O disco, Canções para o Novo Milênio,
o terceiro na carreira do padre cantor, sai com tiragem de 1 milhão
de cópias pela gravadora Universal. Em ritmo de blues e baladas,
fala tanto de temas importantes, como amor no casamento, violência
e aborto, quanto de assuntos prosaicos, como insônia e mau
humor.
Uma
das faixas do CD é uma música com a oração
de Santo Antônio, o santo casamenteiro. É um
pedido das mulheres. Elas me param para falar que está complicado
arrumar alguém que as respeite, conta o padre.
SUSPEITA
DE DEPRESSÃO
A saída de cena e o emagrecimento repentino deflagraram especulações
de que padre Marcelo, 32 anos, estaria com depressão. Ele
garante que nunca teve qualquer doença. Perdi peso
por excesso de trabalho e alimentação errada,
assegura. Tudo que preguei quando era professor de educação
física foi por água abaixo.
Até
tornar-se sacerdote e abraçar as causas da alma, ele cuidava
do corpo esculpido com a ajuda da faculdade de Educação
Física. O estilo de vida contribui para manter os 89 quilos
atuais distribuídos em 1,95 m de altura. O padre acorda às
4h30 da manhã e não toma café. Faz uma oração,
cumpre compromissos paroquiais e de artista, depois almoça
um lanche rápido. Mas à noite devora uma pizza inteira.
Adoro as de gorgonzola e quatro queijos.
Os
únicos cuidados que mantém com o corpo desde o tempo
em que era um professor sarado são as vitaminas e o cochilo
após o almoço. Com tanta correria, até a ginástica
de rotina 40 minutos de bicicleta ergométrica
foi deixada de lado. Substituiu a malhação por check-ups
periódicos. Faço uma vez por ano, mas só
lembro quando a minha mãe me puxa a orelha, diz o padre.
Tive um coração de atleta, por isso tenho que
tomar conta. Para cuidar das cordas vocais, toma quatro litros
de água por dia.
A
primeira reaparição em programas de tevê do
padre pop aconteceu no dia 8 de outubro, no programa Domingo
Legal, do SBT, apresentado pelo amigo Gugu Liberato. A presença
dele alavancou a audiência. Nas duas horas em que ficou no
ar, o ibope do SBT alcançou 53 pontos, contra 46 da Rede
Globo. Meu objetivo é evangelizar, diz padre
Marcelo.
Essas
palavras são um mea-culpa em relação ao disco
anterior. Em Iê, Iê, Iê, eu não
estava evangelizando nada, a letra não passava nenhuma idéia,
reconhece ele. Foi um erro pedagógico. Nem por
isso dispensou uma coreografia no novo trabalho.
Em
Canções para o Novo Milênio, a primeira
música de trabalho é Rei David, concebida
para agradar especialmente as crianças. Sasha,
filha da Xuxa, já conhece e gosta. A dança lembra
movimentos do ula-ula. Xuxa foi a segunda apresentadora a receber
o padre na tevê. Agora, ele está com a agenda aberta
para os demais.
A
Universal não revela quanto pretende gastar na divulgação
do novo trabalho de Rossi, mas afirma que o planejamento é
digno de um astro com cacife para vender 1 milhão de cópias.
Com o padre é mais fácil porque ele é
muito assediado pelas emissoras de televisão, diz Márcia
Santos, gerente de marketing nacional da gravadora.
Nesta
nova fase, Marcelo Rossi também lança talentos. Canta
uma música do disco com Camila Titiger, de 11 anos. A menina,
descoberta em setembro de 1999 num programa de televisão,
gravou uma faixa na trilha sonora da novela Terra Nostra,
da Globo. Deus colocou Camila no meu caminho.
Pensando
em um apelo a mais para atingir o grande público,
Nilton Dávila, produtor do disco do padre, apresentou-a a
Rossi depois de vê-la cantar na Globo. Ela será
uma das cantoras do novo milênio, afirma o sacerdote.
Camila
receberá uma porcentagem das vendas do disco. O restante
dos lucros será revertido para obras de caridade da Diocese
de Santo Amaro, sob responsabilidade do bispo Figueiredo. Carla,
a mãe da cantora-mirim, preocupada com a carreira da filha,
avisa: Ela não canta só músicas religiosas.
No próximo ano, lançará um CD solo com músicas
de Celine Dion e temas da Disney, conta.
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