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Esporte

Gil de Ferran
Campeão também pilota fogão

Ele ganha US$ 1 milhão pelo título de F-Indy, a mais importante conquista desde Senna, e se diverte como o cozinheiro da família

Carlos Henrique Ramos

AFP
Gil de Ferran, chamado de o “operário das pistas”

Gil de Ferran era um aluno que não dava problemas. Tirava notas convincentes, gozava de popularidade entre os professores e colegas de classe, e apresentava comportamento exemplar. Já nessa época, adorava falar de automóvel.

Ao completar 5 anos, ganhou um kart de presente dos pais. Durante as aulas, dispersava-se quando pensava no carrinho. Ele costumava colocar uma régua enfiada na lateral do tênis. Aquilo funcionava como um câmbio.

O menino mexia para frente e para trás, como se trocasse as marchas. Mesmo baixinho, imitava o ronco do motor com a boca. Imaginava-se campeão. E dizia que um dia chegaria lá, numa categoria nobre do automobilismo.

Essa previsão consumou-se mais de duas décadas depois dos sonhos de criança vividos no Colégio Santa Clara, em São Paulo. Na segunda-feira 30, Gil de Ferran, 32 anos, da equipe Penske, conquistou o título mundial de Fórmula Indy, ao chegar em terceiro lugar no GP de Fontana, na Califórnia, nos Estados Unidos – prova que começou no dia anterior, mas foi interrompida por causa da chuva.

Ele repetiu a façanha de Emerson Fittipaldi, campeão em 1989, e reconduziu o Brasil, que ainda sobrevivia do tricampeonato de Ayrton Senna na Fórmula 1, em 1991, ao panteão dos vitoriosos. Ao todo, conseguiu duas vitórias e somou 168 pontos. De quebra, embolsou o prêmio de US$ 1 milhão.

A festa foi toda brasileira no pódio: Christian Fittipaldi venceu, seguido de Roberto Pupo Moreno. “Desejei a minha vida inteira ter um título como este”, desabafou. “Quero desfrutá-lo com intensidade”, diz o piloto. A taça absolveu-o da fama de azarado que o perseguia. “Quem acredita em azar é preguiçoso”, desdenha.

Prensa Três
Com Jayson e Tatiana Fittipaldi, filhos de Emerson, e a mulher Thereza

NASCIDO EM PARIS Casado com a inglesa Angela Buckland há sete anos, pai de Anna Elizabeth e Luke, ele nasceu em Paris.

Seu pai, o engenheiro mecânico francês Luc de Ferran, fazia um estágio na fábrica da Renault, a fim de desenvolver o projeto do modelo Corcel para a Ford. Quando tinha nove meses já estava no Brasil. Com 5 anos, aprendia a dirigir o kart pelas ruas da Cidade Universitária.

Em 1988, abandonou o terceiro ano do curso de Engenharia, e embarcou sozinho para a Inglaterra. Na bagagem, tinha o título brasileiro de Fórmula Ford. Desde essa época, ficou conhecido como “operário das pistas”, devido à capacidade de trabalho e dedicação aos treinos e testes. “Corrida é minha profissão, meu hobby e meu passatempo”, diz.

Quando aportou na Europa, enfrentou dificuldades. Além de não dominar a língua inglesa, o dinheiro era curto. Só dava para abastecer a despensa e pagar o aluguel de um pequeno quarto.

Gil enfrentava a tradicional dupla jornada das donas-de-casa. Treinava o dia inteiro e, depois do expediente, lavava e passava a própria roupa. Também pilotava o fogão diariamente. Aprendeu a cozinhar e cuidava da própria alimentação. Desempenhava o ofício com prazer. É fã de bife, batata frita e vagem. “Pensei em desistir em vários momentos”, relembra.

A glória deu-se em 1992, quando arrebatou a F-3 inglesa, com sete vitórias. Em 1995, aterrissava na F-Indy. A vida mudou completamente. O piloto mora numa mansão em Fort Lauderdale, na Flórida, e tem um salário estimado em US$ 2 milhões anuais. É lá que costuma desfrutar os momentos de folga. Se possível, à frente de um fogão. “Sou cozinheiro oficial da família.”

Miguel Costa Jr
O anjo da guarda
Jackie Stewart, “o escocês voador”, tricampeão de F-1, é o grande padrinho de Gil de Ferran. Foi na equipe dele que o brasileiro ganhou o título inglês de F-3, em 1992. Quando o piloto transferiu-se para a F-Indy, em 1995, o dirigente conseguiu vaga na Pennzoil Racing, uma das principais escuderias naquele momento. Por diversas vezes, Stewart tentou encaminhá-lo à F-1. Até quando criou seu próprio time, que contou com os serviços de Rubens Barrichello. “Temos uma admiração mútua e um enorme carinho”, diz Gil. “Ele fez muito por mim.”

 

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