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Revelação
Áurea
Leminski
Em busca de brilho próprio
Filha do poeta curitibano Paulo Leminski investe na carreira de
apresentadora de tevê depois de tentar ser atriz no teatro
Marianne
Piemonte, de Curitiba
| Silvana
Garzaro |
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| Áurea
quer sair da sombra do pai famoso: “Não quero ser como a mãe
de Glauber Rocha”, diz |
Aos
16 anos, Áurea Leminski apresentou ao pai, o poeta Paulo Leminski,
o primeiro namorado. Ele fazia um estilo punk e usava jaqueta de
couro cheia de tachas. Ao invés de proibir o romance, Leminski alugou
a fita de vídeo que contava a vida de Sid Vicious, vocalista da
banda de punk-rock Sex Pistols.
Certa
vez, o poeta foi convidado pelo Fantástico, da Rede Globo,
para dar uma entrevista e pediu a jaqueta do rapaz emprestada. “Ele
apareceu na televisão em rede nacional usando aquele casaco com
as mangas na altura do cotovelo”, conta Áurea, lembrando o constrangimento
que sentiu na época diante da irreverência do pai.
Paulo
Leminski, o poeta do concreto, também ajudou na formação intelectual
da filha. Aos 11 anos, ela perguntou-lhe o que havia sido a Revolução
Russa. Incentivado pela curiosidade juvenil, Leminski escreveu uma
biografia de Trótski e dedicou à menina. Crescendo nesse caldeirão,
Áurea soube unir talento ao sobrenome famoso e à influência dos
livros e da arte existentes em casa. Aos 29 anos, é a nova apresentadora
do programa Vida de Artista, da CNT, produzido em Curitiba,
no Paraná.
Casada
há seis anos com o fotógrafo José dos Santos Vieira, Áurea sonha
em voar mais alto. Rio e São Paulo estão nos planos dela. “Pretendo
estar perto de onde se faz televisão de qualidade”, afirma. No currículo,
traz também trabalhos com os diretores Atílio Riccó e Valter Silveira,
em programas de televisão, e passagens por grupos de teatro paulistas,
como o Boi Voador.
A arte
está no sangue. Alice Ruiz, a mãe, é letrista de música e também
escreve poesias. É parceira de Zeca Baleiro e Arnaldo Antunes, com
quem criou “Socorro”, o último sucesso da dupla, tema da novelinha
Malhação, da Globo. A irmã, Estrela Ruiz, 19 anos, é baterista
de uma banda só de mulheres e trabalha na rádio educativa da cidade.
As
filhas tentam sair da sombra do pai famoso. “Não queremos ser como
a viúva do (escritor argentino Jorge Luis) Borges ou como a mãe
de Glauber Rocha”, diz Áurea. Na opinião de Alice, o importante
é deixar transparecer o brilho de cada uma. “Temos produção própria,
depois da morte do Paulo pudemos mostrar nosso trabalho com plenitude”,
diz ela.
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