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Teatro
Ângelo
Paes Leme
A serviço da arte dramática
Um dos poucos atores a desfilar com camisa na novela Uga Uga,
ele estréia como produtor em Esplêndidos, peça na qual beija
outro ator na boca
Rosângela
Honor
| Mírian
Monteiro |
 |
| O
ator se deita na rede onde costuma tocar violão |
Cinco
vezes por semana, o carioca Ângelo Paes Leme, 27 anos, sobe
ao palco do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, para fazer
na peça Esplêndidos, de Jean Genet, uma cena
até então inédita em sua carreira.
Na
pele de um policial, ele beija a boca, durante 15 segundos, do ator
Gabriel Braga Nunes que, naquele momento do espetáculo, encarna
uma mulher.
A
cena poderia causar constrangimento a muitos profissionais, mas
é encarada sem resistência por Ângelo, que na
tevê vive o atrapalhado detetive Salomão da novela
Uga Uga, da Globo.
Filho
dos professores Francílio e Maria Cristina Paes Leme, Ângelo
conta que acolheu de imediato a sugestão do beijo feita pelo
diretor da peça, Daniel Herz. Encarei tranqüilamente,
estou ali a serviço do personagem, justifica. Não
é o Ângelo que está beijando outro homem, isso
é uma bobagem.
Quando
começaram a ensaiar, o roteiro não previa o beijo.
Depois de algumas semanas, Herz resolveu incluir a cena no script
para conferir mais poesia ao texto. Até
me surpreendi porque esperava uma certa resistência,
admite o diretor.
Apesar
de estar há 11 anos na profissão, Ângelo Paes
Leme só conquistou independência financeira há
dois. Há oito meses, alugou um apartamento no Jardim Botânico,
bairro de classe média alta do Rio. Antes não
tinha condições de me sustentar, diz.
Na
sala, pendurou uma rede onde costuma deitar para tocar violão.
Um piano, instrumento que estudou durante seis anos, ocupa um canto
da sala. A estante é repleta de CDs e fitas de vídeo.
A
peça Esplêndidos também marca a estréia
de Ângelo como produtor teatral. O ator sabe os riscos que
este desafio representa economicamente. Mas acredita que o investimento
vale a pena. A tevê dá mais status, mas é
diferente de ser um ator de teatro, avalia.
A
estréia no palco aconteceu por acaso, em 1989, quando foi
convidado por uma vizinha para substituir um ator numa peça
de fim de ano do Teatro Tablado, no Rio.
PAPEL DE ANTI-HERÓI A estréia na tevê
só aconteceu em 1993, na minissérie Contos de Verão.
Mas foi em 1996, na novela História de Amor, de Manoel
Carlos, que se tornou conhecido do público.
Embora
ressalte que hoje muitos atores pensam na tevê como uma vitrine,
ele afirma que nunca viu o veículo como meta. Para
muitos, ser ator é estar na televisão e ser famoso,
alfineta.
É
justamente na tevê, porém, que ele vem surpreendendo
como o anti-herói de Uga Uga. Ele faz uma leitura
inteligente do personagem e gosto disso, elogia o autor da
novela, Carlos Lombardi.
Iniciante
na comédia, Ângelo é um dos poucos atores da
trama que não fazem parte do time dos descamisados que vem
arrebanhando fãs de Norte a Sul. Nem por isso faz menos sucesso
com as mulheres. Não tenho preconceito, não
acho que o homem tenha que tomar a iniciativa sempre, diz
ele. Mas vou atrás do que quero, avisa.
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