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Por
onde andam
O
Tchan de ontem
Longe
dos palcos e da tevê, cantores e grupos de sucesso descartável dos
anos 80 acalentam o sonho de retomar a carreira
Marianne
Piemonte
Piti
Reali (foto maior);
Prensa Três;
Beto Tchernobilsky |
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| Na
formação original (foto menor), duas morenas eram dançarinas
no Trio Los Angeles. Na versão reciclada, são duas loiras de
24 anos. Ana (abaixo), a antiga parceira de Márcio Mendes, quer
escrever para uma revista |
O Trio
Los Angeles foi alçado ao estrelato, em 1984, com a música
Transas e Caretas, sucesso da abertura da novela da
Globo de mesmo nome.
Márcio
Mendes, Ana Maria Mendes e Cléo Ferreira, pioneiros no estilo
de grupos movidos a dançarinas com muito rebolado e roupas
provocantes, faziam 18 shows por mês e eram a atração
principal dos programas dominicais.
O
grupo se desfez no auge, quando Cléo, hoje com 40 anos, engravidou.
Agora, o Trio Los Angeles ensaia um retorno reciclado. Márcio
escolheu novas parceiras.
Em
sintonia com os tempos atuais, desistiu das morenas vistosas e optou
por loiras sensuais. A nova formação traz Madalena
Ravesca e Adriana Alonso, ambas com 24 anos. Não dava
para colocar nas mais velhas as roupas que as novas usam,
ele explica.
Exemplo
do sucesso popular-brega dos anos 80, o Trio Los Angeles sumiu na
máquina do tempo da indústria fonográfica.
Assim como eles, desapareceram a dupla Jane e Herondy, o grupo Genghis
Khan, o cantor Ovelha, entre tantos outros. Depois de animarem tardes
em programas como Cassino do Chacrinha e Almoço
com as Estrelas, todos sonham em voltar no tempo.
LARGARIA
TUDO Márcio, do Trio Los Angeles, faz sua aposta.
E agarra-se ao Tchan das novas colegas para garantir um passaporte
de volta para o futuro nos palcos. Mas esbarra, como explica a antropóloga
Esther Hamburguer, da USP, na concorrência dos famosos emergentes.
O sucesso depende da sintonia entre o que o público
deseja e o que o artista faz, diz. Quando essa troca
deixa de existir, a fama passa.
É
como se fossem o É o Tchan do passado. Para ela, é
possível que dentro de 10 anos o público queira saber
que fim levou o É o Tchan, a Tiazinha e a Feiticeira. E voltar
é complicado. A fama é como a moda. Se passa
é difícil retomar o sucesso anterior. Mas os
ídolos esquecidos não desistem.
O
novo Trio Los Angeles faz cinco shows por mês. O novo CD está
à venda em bancas de jornais. Vem encartado em uma revista
própria com fotos sensuais dos três. Depois da fama,
Márcio abriu um confecção de roupas e um curso
de manequim. Quando a saudade apertava eu me enfiava na confecção.
Largaria tudo para estar no palco, afirma.
Ana Maria, uma das antigas parceiras, dedicou-se à família.
Fiquei em casa cuidando do marido, do cachorro e dos filhos,
mas não era feliz, diz ela. Aos 41 anos, a ex-dançarina
pretende se tornar colunista de uma revista feminina.
| Piti
Reali; Prensa Três |
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| Com
o hit “Não se Vá”, a dupla Jane e Herondy estourou nas paradas,
inclusive no exterior |
Nos
bastidores da indústria musical, mais gente se lança
à sorte de ser de novo presenteado com o sucesso. A dupla
romântica Jane e Herondy tornou-se nacionalmente conhecida
com as apresentações na televisão.
Em
1977, estiveram no topo de todas as paradas com Não
se Vá. O hit alcançou inclusive o mercado internacional.
O
sucesso permitiu a eles comprar uma casa com piscina, sauna e gramado
em um bairro valorizado de São Paulo.
Em
1985, o casal sofreu um acidente de carro na Rodovia Anhanguera,
no retorno de um show. Foi comoção nacional.
O hospital teve de colocar uma telefonista exclusiva para atender
os fãs, lembra Jane.
Ficaram
dois anos longe dos palcos e, quando resolveram voltar, a música
sertaneja começava a invadir as rádios. Decidimos
não gravar. Não era nosso estilo, diz Jane.
Foi
um marco na carreira da dupla, que desde 1989 está afastada
das gravadoras e não lançou nenhum disco. Para
sobreviver, a família faz pequenas apresentações.
A filha Juliana, 28 anos, também canta, mas cedeu à
moda sertaneja. É backing-vocal da dupla Rick e Renner e,
assim, ajuda a complementar a renda familiar.
Jane
Moraes e Herondy Bueno não levam mais o estilo de vida dos
tempos áureos. Substituíram a ampla casa por um apartamento
mais simples comprado na época da fama. Mudei de padrão,
mas nunca deixei de usar maquiagem importada, diz Jane. A
dupla, que antes lotava estádios, agora vai a pé apresentar-se
em um bar na rua da casa onde moram para uma platéia de 15
pessoas.
Silvana
Garzaro;
Prensa Três; |
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| Ovelha,
que chegou a vender 5 milhões de discos em 1980, se apresenta
na noite paulistana |
OVELHA
A música sertaneja também é apontada como vilã
pelo pernambucano Ademir Rodrigues, o Ovelha. Em 1980, com o hit
Te Amo, O Que Mais Posso Dizer, versão da balada
do Rolling Stone Keith Richard, ele vendeu 5 milhões de discos.
Com
o estilo romântico-brega, Ovelha, apelido dado por Chacrinha
por causa da vasta cabeleira loura do cantor, forrou a conta bancária.
Em
1981, ele era dono de um carro importado na cor vermelho ferrari.
Hoje, o cantor romântico da voz de seda, como
ficou conhecido, circula com a família em um Monza 90.
Fora
da mídia, ele sobrevive com pequenos shows em bares. Com
todos esses bumbuns de fora é difícil conseguir espaço,
diz, com nostalgia dos tempos em que arrebanhava uma legião
de fãs.
| Reprodução |
Silvana
Garzaro |
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| Dois
integrantes do Genghis Khan morreram no início dos anos
90. Jorge, o líder, e Tânia (acima, com o filho) querem
retomar a carreira |
Genghis
Khan, trágico destino
Durante 15 anos, Jorge Pierangelini raspou todos os dias a
cabeça com uma lâmina de barbear. “Era um ritual para manter
o visual”, conta. Ele era o líder do grupo Genghis Khan, que
estourou em 1979 cantando em inglês.
As
roupas e os penteados inusitados dos quatro integrantes marcaram
época. O sucesso era tanto que, em um domingo de 1982, eles
pegaram três pontes-aéreas para participar em programas de
televisão do Rio, São Paulo e Rio no mesmo dia.
Em
1985 lançaram o último LP de sucesso – já cantando em português
– com o hit “Comer, Comer”. Longe da mídia, Jorge responsabiliza
a onda de música infantil pelo desinteresse das gravadoras.
Uma série de fatalidades definiu o destino do Genghis Khan.
Em 1990, Omar Leon, um dos vocalistas, voltava da Europa quando
sofreu um enfarte duas horas antes do avião pousar em Guarulhos.
No ano seguinte, Tuly, a loira do grupo, morreu vítima de
câncer de ovário.
Jorge e Tânia Souza, a morena, uniram-se para suportar a dor
e interromperam a carreira artística. Ele passou a produzir
espetáculos musicais. Ela trabalhou como recepcionista de
eventos e hoje é gerente de uma loja de roupas.
Atualmente, preparam a volta do Genghis Khan, com dois novos
integrantes. “Vamos retornar com uma atração nunca antes vista
no Brasil e terá o mesmo impacto que teve a primeira formação”,
diz Jorge. O relançamento do grupo está prometido para 2001.
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